Perdi(-me).
Como é viver? Perdi-me.
Como é sentir que o mundo é o lugar a que se pertence? Perdi-me.
Perdi as palavras para poder dizer que gosto da vida, perdi o gosto de acordar pela amanhã e o de cheirar a terra quente das manhãs de verão.
Baixo a cabeça, acho que perdi o mapa pelo qual me guiei até então, o então que perdi palavras para explicar, o então que me deixou perdida. Perdi-me.
Perdi a rota e estou tão perdida para saber o quão perdida estou.
Perdi-me.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
- Desculpe, senhor, mas o seu relógio está partido.
- Oh, obrigado, menina, talvez tenha batido ao entrar no autocarro.
A criança sorriu e dirigiu-se para um dos lugares do fundo, saindo assim do seu campo de visão. Não analisou quem mais pudesse estar ali no autocarro. Em vez disso, virou-se para a janela, encostou a cabeça ao de leve no vidro frio que lhe oferecia algum descanso. Parou para observar uma última vez o relógio, marcando um velho hábito. Era realmente uma peça fantástica, de cabedal e com vários arabescos decalcados. Contudo, o mostrador estava lascado, várias linhas se desenhavam a partir do centro e impediam a leitura. Os ponteiros estavam parados, desde as quatro em ponto de um dia qualquer. Na verdade, encontrara-o no chão. Muito tempo atrás, enquanto caminhava na cidade, pensava na vida que deixara ao fechar a porta minutos antes. Absorto nisto, sentiu algo debaixo do sapato. Pisara um relógio. Então parara para o segurar, com medo que fugisse. Vendo a sua figura desfigurada, notou que se assemelhavam, homem e máquina, ambos abandonados no mundo. Decidira guardá-lo, e ali estavam ambos, ainda sem reparo. A paragem do autocarro foi bruta e despedaçou todos estes pensamentos, e os esquecidos saíram para as ruas.
domingo, 7 de julho de 2013
Néaltrú # 8
Eu?
Eu sou a minha alma e o meu coração.
(...)
Uma cara bonita. Um corpo perfeito. Os olhos azuis. Ou os cabelos aos caracóis.
Porque não um coração puro?
Eu sou a minha alma e o meu coração.
(...)
Uma cara bonita. Um corpo perfeito. Os olhos azuis. Ou os cabelos aos caracóis.
Porque não um coração puro?
[ Recomeço!? Talvez...
Who knows? ]
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