quarta-feira, 24 de julho de 2013

semtítulo#3

Escrevo. E apago. Perdi-me de todos os caminhos para a inspiração. O que é o mesmo que dizer que me perdi do amor. Ou no amor. Perdi-me tanto 'no meio do amor' que perdi o sentido dele. Aprendi a gostar, sem amar. Aprendi a sentir fogo, sem chama. Aprendi a sentir desejo, sem coração. Aprendi a chorar, sem tristeza. Aprendi a querer, sem lutar.
Amedrontam-me, agora, as paixões. Talvez a vida seja mais do que isso. E um dia hei-de encontrar por ai quem me faça reencontrar no amor. Quem me devolva a chama e o coração e a força. A tristeza dispenso-a. 
Com o tempo, percebi que estar apaixonado é bom. Mas ser livre de alma e de coração pode ser ainda melhor. Percebi que ter alguém na minha vida não tem de significar andar de mãos dadas pela rua, não tem de significar dizer a todo o mundo que há alguém que me faz feliz (à partida), não tem de significar 'ser comprometido'.
Mas, acima de tudo, percebi que a felicidade está no nosso ser. Está na nossa força e no nosso lar. A felicidade está nos momentos com os nossos amigos, com a nossa família. Está dentro de nós. No que somos e vamos sendo. Ao lado de quem não nos perdeu nem nos fez perder. 

domingo, 21 de julho de 2013

Keep your inner child alive,

otherwise you'll be poisoned by adulthood boredom .


E as responsabilidades de adulta acumulam-se em ondas enormes que fazem balançar esta pequena caravela. Cada escolha, cada decisão, é um rodar de leme, é mais uma onda rasgada por proa destemida. Só tens de aguentar com os salpicos consequentes e seguir, continuar a navegar até ao abismo inevitável.
À criança que carregas no peito, não lhe dês um barco salva-vidas contra as marés crescidas, dá-lhe antes uma âncora e liga ao teu farol.
É que o bote vira, mas âncora de confiança vai mantê-la lá, na tua alma de pé fincado contra adultez aborrecida. Um farol de crença irá guiá-la sempre a Casa, a porto seguro.



Borrega


This is a dedicatory song: A ti, âncora, farol, porto seguro, irmã ...
[http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=k9FCIyDh6_o]

quarta-feira, 10 de julho de 2013

perdi(-me)

Perdi(-me).

Como é viver? Perdi-me.

Como é sentir que o mundo é o lugar a que se pertence? Perdi-me.
Perdi as palavras para poder dizer que gosto da vida, perdi o gosto de acordar pela amanhã e o de cheirar a terra quente das manhãs de verão. 
Baixo a cabeça, acho que perdi o mapa pelo qual me guiei até então, o então que perdi palavras para explicar, o então que me deixou perdida. Perdi-me.
Perdi a rota e estou tão perdida para saber o quão perdida estou.
Perdi-me.