quinta-feira, 8 de maio de 2014

effusus #24, das lágrimas

"Desculpa, tu fizeste-me rir, mas ele faz-me chorar."

Fiz anos há pouco mais de uma semana. O costume, mensagens, telefonemas, abraços, beijinhos. Enfim, tudo aquilo a que se tem direito quando é o nosso dia. Era mais uma noite de queima, da minha última queima. Como em todos os outros dias, estava em casa, bem acompanhada claro, a preparar a mente para ir para o recinto. Mas algo abalou o meu coração. Uma mensagem. Bastou ver o remetente para correr a primeira lágrima, quando li a mensagem vieram muitas mais. Dei por mim a não conseguir parar. Respondi e apaguei a mensagem. Não adiantou, não parei de chorar. Nada adianta, parece-me. Quando penso que está tudo ultrapassado, acontece alguma coisa. Agora sei, N, que vai ser sempre assim. Que vou sempre gostar de ti, venha quem vier.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

dos adeus - effusus #23


Os dias e as noites atropelam-se na pressa de chegar ao verão. Eu, pressa, não tenho nenhuma. Pela primeira vez a chegada da minha estação preferida implica um adeus. E um dos grandes. Tão grande que achei por bem adiá-lo. Por uns dias, por umas semanas, por um ano. Mas o relógio não parou e é chegada a altura do adeus. O derradeiro. O definitivo. O último. Vai ser difícil despir este quarto de mim, guardar as recordações em caixas e fazer as malas. Mas não se pode ser para sempre Peter Pan. Fica a certeza de que levo Coimbra comigo. E, felizmente, também a certeza que fica um pouco de mim em Coimbra. Nas ruas, nas tradições, nas pessoas. Eu, eu vou vestir pela última vez o nosso azul, pegar nas malas e preparar-me para a próxima estação. Até sempre.

sábado, 3 de maio de 2014

effusus 22#

Ela nunca fica muito tempo. Talvez não consiga, ou talvez não goste, ou nunca tenha encontrado uma razão para criar raízes. Veio numa tarde de primavera, ficou durante o verão e no outono já se começava a desprender, com o vento a puxá-la para longe de si, de mim e do mundo. E quando o inverno se instalou já não a encontrei. Não em mim, nem nela. Foi-se. É o curioso sobre os dentes de leão como ela, sabem, nem a si próprios estão agarrados.