quinta-feira, 12 de junho de 2014

Venham os raios de sol... effusus #28

Venham os raios de sol, venham os dias de praia, venham os dias deitados na areia, venham os dias deitados sobre a cama a descobertos de corpos nus envoltos em abraços e amores delicados ou excitantes. Por cada vez que fecho os olhos para sentir melhor o ar que te sai da boca e embate no meu peito sinto-me preenchido, como se tal momento me fizesse sentir que por muitos caminhos, bons ou maus, tivesse caminhado, cheguei ao ponto de sentir que valeram a pena as quedas, valeram a pena os empurrões e os choros, valeu a pena o choro do esforço, o rasgar da alma diversas vezes quando julgava que não conseguia dar mais de mim e com o ultimo fôlego conseguia dar mais um passo, subir mais um pedaço do poço. Valeu a pena o passado e por isso, que venham os dias de alegria, que venham os dias da felicidade contagiante, porque eu quero sentir-te melhor do que antes.

Aparece onde quer que estejas.
Aparece e eu poderei dar-te mais um sorriso, mais um mimo nessa barriga.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

dos começos - effusus #27



E, de repente, voltaram os quinze anos. Voltaram os sorrisos tímidos, escondidos pelo cabelo. Voltaram as conversas intermináveis, os beijos roubados, as mãos entrelaçadas. Voltaram os trinta-por-uma-linha por cinco minutos de alguém. Voltaram as pequenas loucuras, as pequenas surpresas. Voltou o calorzinho por dentro. Voltaram as borboletas - sim, essas que já julgava perdidas. Voltaram os apaixonados. Voltaram os meus quinze anos e o não querer saber o amanhã. E que bem que me sabe.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

carta a uma avó incansável. (effusus #26)

querida avó,

sempre encontrei abrigo na firmeza das tuas mãos e na ternura dos teus olhos.

o sorriso com que brindaste todos os meus passos foi para mim sempre uma certeza.

sempre soube que, por mais que crescesse, nunca deixaria de ser o teu menino.
o mesmo que seguraste nos braços tantas e tantas vezes. o mesmo com quem brincavas tardes inteiras. o mesmo a quem aturaste tantas birras e choradeiras. o mesmo que queria ir contigo aonde quer que fosses (e que tu sempre levavas). o mesmo que perdeu o tigrinho em paris e não descansou enquanto não o encontraste. o mesmo que perguntava em tom jocoso à campainha "é para a reunião?" sempre que reunias as tuas amigas lá em casa às quartas-feiras. o mesmo que usava as costas do teu sofá para fazer de barco. o mesmo que te tirava os bibelôs da exposição. o mesmo com quem passavas horas a contar estórias com os pedaços de fruta para que os comesse.

e tu sempre com o mesmo carinho, a mesma luz, a mesma dedicação.

sei bem que não partiste este domingo.
muito do que sou hoje foi talhado por ti. muito do que somos, na verdade.
eu, o rui, a catarina, o pai, o avô e a tia lena. e todos os outros em cujas vidas foste entrando.
e foram tantos.

sei que trarei sempre esculpido em mim o teu sorriso, e que continuarei a ouvir a tua voz a dar-me segurança.

"avó é duas vezes mãe", fartavas-te de me lembrar. mas foste mãe tantas vezes que lhe perdi a conta.

hoje sei que continuas a olhar por nós. sei que nos proteges e nos seguras.
e sei que sorris, porque é só assim que tu sabes olhar para nós!

gosto tanto de ti, avó!

um beijinho enorme do teu neto do meio,
nuno.