terça-feira, 21 de outubro de 2014

introdução à vida adulta

Apanharam-me distraída e empurraram-me para o mundo dos adultos. Eu não queria, bati o pé e fiz birra mas quando dei por mim já tinha passado a porta. E não havia volta a dar. Tentei organizar-me e aprender a lidar com este novo universo. Sempre ouvi dizer que não era mau de todo. Resolvi dar-lhe uma oportunidade. Mas no meio das inúmeras conversas em salas de fumo - porque é a única altura em que se pode efetivamente conversar - comecei a perceber que a adultice não difere assim tanto dos tenros anos da adolescência. Sim, agora tinha um horário das nove às cinco e nem conseguia pensar em ir beber uns copos ao final do dia. Estava exausta. Mas, fora isso, depressa fui percebendo que os problemas e os dramas não vão a lado nenhum. Aquelas parvoíces tão típicas dos adolescentes, que levam logo a um "não te preocupes, é só um miúdo, não tem noção do que é a vida" afinal não vão a lado nenhum. A diferença é que agora as conversas têm palavrões como divórcio, separação, sogrosfilhos e custódia. Mas continua tudo igual, as pessoas continuam a portar-se como crianças só que agora, no fim, quando tudo falha, é tudo maior. Dói mais. E, no meio das pausas para fumar, sussuram-se confidências como "Dei-lhe sete anos de mim, Inês". E eu encolho-me na minha meninês, nunca vivi nada assim, não tenho direito a falar. Mas, quando chego a casa e dispo a pessoa crescida que ando a fingir que sou, não consigo acreditar nisso. Com ou mais experiência de vida e ainda que pertencendo a mundos diferentes, parece que andamos todos à procura do mesmo. Parece que vamos andar sempre todos à procura do mesmo. Alguém que nos agarre quando o dia chega ao fim e nos aqueça os pés na cama. E isso eu até percebo.

Mas de repente tenho medo, tenho muito medo. Vejo a minha vida a passar-me à frente e não a quero, não quero passar o resto dos meus dias entre corações partidos. Não quero que me partam mais o meu. 

Mas a verdade é que esta não sou eu. Nunca tive medo de viver. Não é agora, na pequenez dos meus vinte e dois anos, só por achar que espreitei a infinidade de dores de cabeça que aí vêm, que vou passar a ter medo. E lá está, nos meus poucos anos e na minha pequena experiência, houve algo que percebi. Pode custar quando as coisas acabam, mas também sabe muito bem enquanto duram. Mesmo muito bem. E assim vale sempre a pena.

No fim sei sempre dar a volta. Sou sempre feliz. E hei-de tentar até ao fim.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

effusus #49

Quem me dera ser tudo isto ao mesmo tempo
Só isto, mas tudo isto
Tudo isto ao mesmo tempo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

demasiado amor - effusus #48

onde nos perdemos? foi no amor ou no medo? no tempo? onde me perdeste, meu amor? e porquê? não sei o que sinto. quando me apaixono teimo sempre em voltar-me a apaixonar, as vezes que forem precisas para ser feliz, pela mesma pessoa. apaixonei-me por ti demasiadas vezes. cultivei o meu amor durante demasiado tempo. quanto de mim mereces? quando de mim mereceste? e agora? quantas vezes no teu dia me lembras? nos lembras? és sempre tu, sempre. és sempre tu quem me tira o sono. és sempre tu quem me faz deslizar os dedos sobre as teclas. ainda gosto de ti. um bocadinho. ou um bocado. mas esse bocado será sempre aquilo que ficou de ti em mim, e nunca, mas mesmo nunca, deixará de fazer parte de mim.