sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

do amor

Estar contigo foi (e é) uma opção minha! Não te escolhi, é verdade. Mas isso só prova que gosto ainda mais de ti. Apaixonei-me por ti porque me fizeste apaixonar por ti. Quando te conheci nem sequer me passava pela cabeça. Mas agora, depois de todo este tempo, a minha maior vontade continua a ser estar contigo. Por favor, entende uma coisa: se eu quero, eu quero! E não posso permitir que estejas constantemente a dizer que não és o melhor para mim. Não suporto que aches que mereço mais ou melhor. Eu não preciso de mais nem de melhor! Eu preciso de ti. Assim, como tu és. Com todos os teus defeitos e qualidades. Com todos os anos, um por um, que passaram por ti. Com tudo o que tens.
Por favor, deixa-me ser feliz. Mas perto de ti. 

domingo, 23 de novembro de 2014

adulthood

Tropecei numas gavetas e dei com umas palavras minhas. Parei o que estava a fazer e li-me. Perdi a conta ao número de vezes em que sorri. Aquela não sou eu. Já não. Era uma carta escrita por uma pessoa profundamente triste, profundamente sozinha e - o pior - profundamente apaixonada. Fui mais para trás. Fui ler outras versões de mim, também elas profundamente apaixonadas. E quanto mais recuava mais bonito era o mundo. Mais eram os sempres, mais eram os sonhos de finais felizes. Isso acabou, pelo menos por agora.

E não faz mal. Em versões de mim passadas, a solidão assustava-me. Entristecia-me. Agora acho-a um pouco inevitável. Crescemos e a nossa casa deixa de nos chegar. Mudamo-nos para um sítio maior. Mas vamos sozinhos. E na imensidão dos prédios e dos arranha-céus, no silêncio das viagens e na correria de todos os dias, é inevitável que andemos sozinhos. Não que não possamos voltar ao quentinho da lareira e das conversas até tarde de tempos a tempos. Mas os dias são solitários. That's a side effect of adulthood. And it's okay.

Há algumas noites, no frio de lisboa, se quisesse - se tivesse deixado - podia ter voltado. Digamos que o "amor" - e como odeio esta expressão - bateu à porta. E eu podia ter voltado à versão de mim que acredita em sempres e que sonha com finais felizes. À versão de mim que não se importa de estar profundamente apaixonada. Podia ter agora alguém para me aquecer os pés de noite e para me dar um beijo de bom dia. Mas assustei-me. Tive medo. Bati o pé. Se deixasse entrar alguém será que ainda haveria espaço para mim? Não quis perder a minha sozinhice. É engraçado, mas pela primeira vez depois de tantos anos quero mesmo estar comigo. E com mais ninguém.

Portanto fugi. E consegui. Mas só porque desta vez ele se dignou a bater à porta. Se entrar de rompante...


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

effusus #50 - das feridas

Esta ferida que me fizeste nunca mais se decide a cicatrizar. E muitos vem por ai na tentativa de a curar ou, pelo menos, minimizar, mas ninguém consegue. Não sei se tu conseguirias, mas um dia espero-(te) e desespero(-te). Se o nosso futuro não é ao lado um do outro, então, por favor, alguém que te tire do meu caminho. Ou pelo menos do meu coração.

adoro-te