terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Em memória dos bons velhos tempos


Carícias face dentro, dedos entre cabelo solto e farto, mãos decididas e risonhas. Sorrisos sobre a mesa e não ouço a tua voz. Não ouço a minha, nem as inúmeras discussões e guerras mundiais tão frequentes no nosso campo de batalha. Suspiro de alívio. Éramos ferrugem persistente, faísca exagerada, a nossa junção chateia e desgasta. Não fomos feitos um para o outro, não dá-mos saldo positivo no balanço ao fim do mês. Somos bons à distância, nas entrelinhas. Somos bons com outros corpos, com outras almas, com outras salivas. Que assim seja: eu e tu, nunca amigos, nunca amantes. Leio só o teu e o meu sorriso em jeito de confirmação. Química. Que assim seja, mesmo que para sempre, mesmo que nos trame numa ou noutra rua do destino.
Carícias face dentro, dedos entre cabelo solto e farto, mãos decididas e risonhas e eu volto a amar-te.
Desta vez sem discussões.

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Desabafo


O texto que se segue poderá ferir as susceptibilidades de quem (ainda) sofre por amor, perdoem-me por isso, e peço que tomem em consideração o facto de também eu ter passado pelo mesmo.
Clamem o amor eterno, gritem, façam os vossos corações ser ouvidos, lutem por vós e pelos vossos sentimentos (se forem justos convosco mesmos, evitarão mais sofrimento), e não lutem por quem amam, e principalmente, por quem dependem. Não lutem por ninguém, mas sim pelo vosso sorriso e pela vossa felicidade - isso evitará que se magoem a partir de determinado ponto. Nunca dêem como certo alguém na vossa vida, pois 'ter' é a pior forma de amar - nem sequer o é, senão a forma mais fácil de completar um vazio dentro de vós.  Por vezes a tristeza torna-se um hábito e a luta a única forma de poderem gostar da vossa própria pessoa, amor-próprio que vai perdendo brio a cada dia que passa, a cada falsa palavra de amor que ouvem, a cada rasteira que sofrem. São tantas as pessoas que nestes blogs, e não só, sofrem por amor. E a cada dia que abro um blog, mais um texto escrito em lágrimas... Quem não sofreu já por amor? Todos nós acabamos por sofrer desse 'mal', seja de amor-próprio, seja de amor por outrem. Mas não tomem nada como certo, não acreditem num facto só porque ele vos aparece à frente como a verdade, pois a verdade não existe, e transforma-se. Por vezes nunca foi senão uma mentira de cabeça pra baixo, fazendo-se passar pela verdade.
O amor existe? Existe. Mas para saber amar é preciso sabermos amar-nos a nós próprios primeiro e saber reconhecer limites. Se quiserem lutar por alguém, façam um favor a vocês mesmos e certifiquem-se de que têm amor-próprio para o fazer.

"Segundo alguns psicanalistas quando se apaixona você não se relaciona com alguém de carne e osso mas com uma projecção criada por você mesmo e a projecção que fazemos é a de um ser completamente perfeito. Mas depois de um período a projecção acaba e você passa a enxergar de verdade a pessoa com quem está se relacionando; invariavelmente algumas virtudes do parceiro ou da parceira vão embora com a projecção, outras ficam... Se o que ficou de cada um for suficiente para os dois, a relação perdura. Caso contrário...
Ninguém sabe o que faz o botãozinho ligar e iniciar uma nova projecção. O amor é inexplicável. Mas tem coisas que você pode entender..."

Sigmund Freud

domingo, 29 de Novembro de 2009

Sangue-suga.

E então ficas especado a olhar para mim tipo sangue-suga. Primeiro decides roubar-me o meu corpo; ficas colado à minha pele e arrancas-me todos os pedaços de amor que tinha para te dar. Depois continuas com as tuas falinhas mansas até que acabo por me perder nas tuas teias. Não fiques à espera que eu acredite em princípes encantados, e que muito menos vá atrás de ti. Acorda! A branca de neve não existe.

sábado, 28 de Novembro de 2009

[Vícios]

A nicotina invade-me... o corpo, a mente, a alma... É vício que me destrói e quase me mata.
[Vício... que sabes tu de vícios?]
A nicotina liberta-me... faz-me ser quem eu não sou, quem na verdade gostava e quero ser. Acalma-me... deixa-me respirar quando a vida sufoca. Dá-me força e coragem quando estas me faltam (todos os dias?). Alimenta-me quando a fome me vence. Faz-me dizer sim quando o mundo me diz não.
[Vícios... que sabes tu de vícios?]
A minha nicotina eras tu... E agora que tu foste... transformei o meu vício. Será o meu vício a tua simples ausência?

[Vícios... que sabes tu de vícios?]