in umadosedetemáticas;
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
in umadosedetemáticas;
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Uma simples dor.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Amote
segunda-feira, 12 de março de 2012
Quatro
segunda-feira, 5 de março de 2012
Não. Não posso passar por aquela bela enfermeira sem lhe dizer bom dia. E diz. O Sr. Alberto, já famoso por aquelas bandas, é um bom homem, contam. Sempre bem disposto, de sorriso calejado na cara, o que mais gosta é de cumprimentar quem sempre o recebe para o tratar. É a sua maneira de agradecer, afirma.
Aos oito anos já trabalhava na terra. Ajudava no que podia. Acordava cedo e calçava as galochas para ir tirar o leite à vaca! Segundo o Sr. Alberto, às sete da manhã é quando sabe melhor, uma caneca tirada do balde que usa para ordenhar. O carro de mão também não era coisa que lhe metia medo. Tanto servia para trabalhar como para brincar. Eram as mãos experientes e cansadas do trabalho que costumavam empurrar aquelas três rodas quando lá em cima se sentava. As mãos do seu avô.
A história dele, como costuma dizer, não foi nada diferente da dos miúdos do seu tempo. Histórias pejadas de trabalho árduo nos campos, nas salinas de Aveiro, na pesca do bacalhau. A história dele, como costuma dizer, foi sempre feita à procura de roubar o osso que sobrava na sopa da pedra que a sua mãe fazia. O osso que servia só para dar um gostinho à sopa. O osso que pertencia ao dono da casa, o seu avô, que o deixava sempre ficar com aquele restinho da carne mas que nunca foi carne.
Foi sempre recto na vida. Sempre bem mandado. Boa pessoa. Existem muitas boas pessoas neste mundo, diz. Têm é medo de o ser porque as pessoas boas raramente vão longe. Já ninguém é capaz de viver com tão pouco. O que nem é necessariamente mau! Muito sábio o Sr. Alberto. Ou Albertinho como a mulher o chamava. Sim, o chamava. Teve de a ver morrer à sua frente, culpa da gripe. Ainda a tentou levar ao médico mas a pobre não resistiu.
Aos sábados sentava-se na cadeira à frente de casa para ver os rapazes a jogar à bola. Gosta da juventude. Continua a gostar. Mas foi num desses fatídicos sábados que teve o seu primeiro problema. Apoiado na sua bengala, sentado no cadeira do costume, olhou para baixo e viu que tinha as calças molhadas. O primeiro de muitos que o têm acompanhado.
Hoje, o Sr. Alberto troca a cadeira do jardim por uma ainda melhor. Esta leva-o onde ele quer sem que tenha de caminhar, coisa que já nem consegue fazer. Duas grandes rodas, maiores que a do carro que tinha. Maiores ainda que a do carro de mão! A puta madrasta da vida não lhe poupou apenas as pernas. Para além disso, é obrigado a andar sempre com um saco de mijo atrás. Ao colo, diga-se. Agora, todos os dias passeia um belo saquinho do continente. Já serviu para compras. Pobre saco, hoje serve apenas para o pequeno infortúnio de um homem que nunca o pediu.
Não faz mal. Diz o Sr. Alberto ser um sortudo por ter trocado a cadeira de quatro pernas por uma de duas rodas. Esta, diz ele, permite-lhe sentir o avô a empurrar, por vezes, quando ele precisa de ir a algum lado. Pelo menos é isso que conta aos seus netos. Que nunca lhes aconteça o mesmo. Ou esperemos que sim.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
“Amor é fogo que arde sem se ver”. É este o pequeno trecho, de um poema de Luís Vaz de Camões, que se encontra escrito num pequeno postal que me estendem. É, apenas, mais um na grande panóplia de postais referentes ao dia dos namorados que se encontram nesta estante. Pode ser que venha a dar jeito a alguém! Talvez hoje, talvez amanhã. As estatísticas dizem que o número de flores e chocolates aumentam. Também afirmam que muitos restaurantes ficam lotados, para deleite dos proprietários. A verdade é que as vendas e as receitas demonstram que o dia dos namorados tem bastante significado para a sociedade. E contra factos não há argumentos! Sejam os maridos que procuram surpreender as mulheres, sejam os namorados que anseiam em enternecer a sua cara-metade ou até os apaixonados que ousam namoriscar as suas amadas, todos correm desenfreadamente à procura da melhor surpresa, numa incessante caça ao tesouro organizada pelos estabelecimentos comerciais.
Uns tentam obedecer às massas e cumprir com o que é já aceite socialmente porque “fica sempre mal” não o fazer. Outros procuram afirmar-se dizendo que sentem orgulho em passar o dia dos namorados sozinhos porque também é bonito ser do contra. A verdade é que a maior parte gostava de ter namorado/a e não gosta de passar esse dia sozinho. Nem esse, nem nenhum, porém, o nível de “solitarismo” (chamemos-lhe assim) desse dia aumenta, sendo diretamente proporcional à valorização que lhe endereçamos. Provavelmente pouca gente repara nisso mas o dia 14 de Fevereiro é apenas mais um dia no calendário. É apenas o quadragésimo quinto dia do ano ou o décimo quarto do mês. Calma! Pode não ser! Pode ser um dia especial. Pode ser um dia de aniversário. Pode ser o dia de nascimento de alguém. Até pode ser um dia especial para dois namorados, atenção! Condenável é o facto de ser “o” dia especial e não “um” dia especial. O dia dos namorados, na verdadeira acepção da expressão, não pode servir de desculpa para uma demonstração de carinho. Não pode servir de desculpa para que muitos homens ou mulheres, apenas as emancipadas!, sintam vontade de mimar a sua cara-metade. No dia em que isso acontecer devemos procurar o porquê de precisarmos de uma desculpa para amar.
O amor não precisa de desculpas. E tal como não precisa de desculpas, também dispensa lugares e dias especiais para se fazer sentir. E visto que, como afirma a sabedoria popular, para bons entendedores meias palavras bastam, deixo que os verdadeiros apaixonados percebam o que eu quero dizer com isto. Faria bem em acabar por aqui, porém, sinto-me na necessidade de fazer apenas mais um pequeno aviso de cuidado para aquelas pessoas que procuram a paixão momentânea e a fuga à responsabilidade que um verdadeiro romance acarreta, não vá o diabo tecê-las e inventar um dia também para elas.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Das lutas do amor.
Todos os dias vestimos o belo do calçãozinho largo e as luvas de boxe. E todos os dias procuramos entrar naquele ringue quadrado onde lutamos pelo grande prémio: a pessoa que nos aquece o coração. Não, o amor não é um simples organizador de eventos esporádicos. A verdade é que todos os dias ele nos coloca como cabeça de cartaz, colocando-nos também a cabeça a prémio no evento principal. E lá vamos nós, derrotando adversário atrás de adversário. Com gestos, com palavras... cada um à sua maneira. Ouvi dizer que já houve quem mordesse a orelha do adversário para ganhar uma luta destas.
A verdade é que a memória do amor tanto se mistura entre um elefante e um peixe, e deste último já vieram provar que não é como diz a sabedoria popular. Assim nos é pedido que o conquistemos diariamente, numa luta diária pelo que ousamos manter. Sabem? O amor perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. A verdade é que tendo o tempo tanto tempo quanto o tempo tem, o amor não precisa dele. E deixa de ser diário, passa a ser momentâneo. Assente em vários pequenos lutadores fragmentos de tempo, assim corre o amor. Então deixa de haver uma exigente luta por outrém. A luta não vem antes, nem depois. A luta não existe. Faz parte e mistura-se.
sábado, 31 de dezembro de 2011
Ou então vou ter contigo. Vou eu adormecer-te. Não tens escolha, eu quero. Olhar bem para ti enquanto dormes, ver como ficas linda. Encostar o meu nariz no teu pequeno nariz ou tactear os teus lábios. A tua cama é mais pequena que a minha. Mal cabemos os dois. Não importa pequena. Procura o espaço nos meus braços.
Mas dorme. Calma e serena. Dorme...
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Fui-me deitar. Estava cansado mas apesar de tudo chamei-te. Chamei-te para vires ter comigo. Para te ver, para te tocar, para te sentir. Para poder ouvir a música que tens dentro de ti, esse rimbombar de tambores que provoca alterações rítmicas nos meus.
Disseste-me que não.
Eu não percebi. Não percebo o que te faz negar constantemente o meu olhar. Será medo? Não sei. Por mim? Por ti? Por alguém terá que ser.
Deitei-me. No escuro abracei-me à almofada. Fechei os olhos para te poder ouvir mas tu não estavas lá. Esperei uma brisa que me pudesse mexer os cabelos. Mas ela não apareceu. Esperei uma gota vinda de nenhures que me pudesse molhar a face que tanto anseia pelos teus lábios. Mas ela não apareceu. Procurei a companhia nos braços dos lençois. Mas ela não apareceu.
Diz-me... quem sou eu? E quem és tu? E o que é isto?
Aparece e faz desaparecer tudo o que eu procuro em outrém. Tu!
