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sexta-feira, 16 de novembro de 2012


Tenho imensos abraços guardados. Alguns marcados levemente como gravuras, tal e qual pedra granítica, gastos pelo tempo, mal cuidados, órfãos de toda e qualquer preocupação maior. Apesar de tudo, pequenas letras sulcadas ainda se fazem notar... Um pequeno J ali, um A acolá...
Também existem aqueles marcados a ouro. Têm nome, data, e alguns pormenores interessantes. Quem diria que o simples cheiro a chocolate no ar podia perpetuar um abraço numa tarde de verão de 93. Chocolate, sim. 
Mas são aqueles que guardo, sem nome nem senhor, que me são demasiado. São aqueles que cá ficaram, abandonados, frutos do temor, à espera de alguém que lhes possa dar nome. Sentam-se ali sozinhos, invejando inocentemente os outros, os que tiveram a sorte de marcarem a história e não se acagaçarem perante a felicidade. 
É isso. Tenho abraços à espera de um nome. Do nome e da história. Abraços. São abraços.

in umadosedetemáticas;

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Uma simples dor.

Páro, arfante e cansado, no meio de uma ponte de madeira. Uma das duas que existem no parque. No meio do lago, apenas se vê um pato. Estamos no início da primavera e o lago não merece mais do que um simples pato. E ali nos encontramos. Sós. Ele sozinho no meio da água, eu sozinho no meio da ponte.
Estou a meio da minha corrida diária e este é o meu ponto de paragem para alongamentos e algum descanso. Gosto deste lugar. No inverno não se vê vivalma. No verão é onde se encontram aqueles com mais primaveras  que decidem jogar dominó ou pôr a conversa em dia. A conversa que é sempre a mesma, contada de mil e uma maneiras diferentes. A conversa que espera sempre por alguma novidade, carente da aldeia onde vive.
O meu olhar levanta-se do chão e prende-se num pequeno banco do outro lado do lago. Foi ali que uma vez me levantei e deixei para trás o grande sentimento que sentia. Foi ali que o perdi e é ali que ele permanece, angustiante, estendendo-me os braços à espera que o vá buscar. Não, não vou porque não quero. Porque decidi escolher a felicidade ao invés do amor e dele não tenho sentido falta. Com ele ficaste tu, de ti lembro-me eu todos os dias. Porque no final fica só aquela boa lembrança de que tudo aconteceu e dos nossos momentos apenas guardo os melhores. Ficam os muitos ovos de kinder que escondemos um do outro nas milhares de caça ao tesouro que organizámos. Ficam os pinguins que imitámos e que decidimos ser antes das coisas não correrem como previsto. Ficam as mãos dadas e os sorrisos partilhados de coração cheio. Ficas tu.
Tudo porque escolhi não te voltar a ver depois disso. Uma decisão infantil mas necessária.
Olho para o céu. Cinzento. Está na hora de continuar a correr. Os músculos já doem, mas não me impedem de continuar. Não impedem porque não passa disso. De uma simples dor. E eu tenho uma corrida para acabar.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Amote

Um dia, não um dia qualquer, um dia. Dei comigo parado, a sorrir de banda, enquanto corrias no meu encalce. Nunca te tinha dito aquela estranha palavra. Aquela que todos dizem, às vezes só porque sim. Porque sim sem razão nenhuma, não lhe rouba o que tem de verdadeiro. É só porque faz sentido ali e agora.

E assim foi. Sem olás nem bons dias, saiu um pequeno amo da minha boca. Um pequeno, pequenino, lutador, sufocado pela timidez. Infelizmente, para mim, a palavra amo-te têm um hífen lá pelo meio. Um belo de um hífen que não passa de um pequeno traço de escrita, que nem se nota quando falamos. Mas naquele momento notou-se. Foi um pequeno amo que me permitiu respirar antes de te dizer o resto. E dizem que se não se disser nos primeiros três segundos, não se consegue dizer mais. Eu não consegui. Nem nos primeiros três, nem nos restantes quando ficaste à espera de saber o que me enche o coração. E eu não fui capaz de dizer que és tu.

Vou riscar a palavra da minha cabeça e inventar uma nova. Uma sem hífen. Até posso roubar o hífen à que já existe. E assim fica, um amote sem hífen, dito de uma vez só, sem respirar. Um amote sem nada que o separe no meio para nos roubar o ar todo de uma vez. Um amote.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Quatro

Eram quatro da tarde, marcadas pelo meu relógio de pulso. Eram quatro da tarde e foi esse o número de pancadas que eu, de punho fechado, bati na porta de tua casa. Uma. Duas. Três. Quatro. Quatro simples pancadas para te avisar que já tinha chegado. Podiam ter sido mais. Podiam ter sido menos. Mas não foram. Foram quatro. Dezasseis marcava o relógio.

Abriste-me a porta, de sorriso nas maçãs. Aquele sorriso tímido que te é tão característico. Os olhos gritantes, meio escondidos pelo cabelo que te cobre a face. Convidaste-me a entrar. Levei-te um girassol, daqueles que tu gostas. Um grande girassol que tem que se baixar para atravessar a ombreira da porta. Entramos. Nas paredes nada mudou. As mesmas fotos, os mesmos quadros, as mesmas pessoas. A casa não deixa de ter um aspeto desconcertante, apesar dos vários papéis amarfanhados ali no canto, apesar de alguma desarrumação e meias pelo chão, apesar de.

Sentados no sofá falamos do mundo. E de como o mundo nos estendeu a mão. Rimos. Saltamos. Vemos um filme e comemos pipocas. As horas não passam ali dentro. Olho para o relógio de cuco que tens por cima da lareira. Gostas de relógios. Olhei para aquele por acaso, porque podia ter olhado para os outros três na parede do lado direito. Marcam todos as quatro. As dezasseis. Sai uma tosta mista e a vida vai passando. Vive-se muito dentro daquela casa. Dou uma ajuda a arrumar algumas coisas, onde posso. Há sítios onde não chego e também não há escada para poder lá chegar. Enfim, paciência.

Digo-te que tenho de ir embora. Abro a porta da frente, uma leve brisa penteia-me os cabelos. Pedes.me para ficar. Mas eu preciso de ir embora. Estendo o pulso para fora da porta, os ponteiros ficam loucos e serpenteiam. Lá fora já são dez. Dez da noite. Ou dez do dia, depende. Vinte e duas. Estendes-me a mão, puxas-me. O mundo, lá fora, puxa ainda com mais força. E caio, esparramado no chão. Olho para cima. Lá estás tu. Dois rangidos irritantes e a porta fecha. Quatro. Foram quatro. Quatro batidas na porta para abrir. Dois rangidos, um estrondo e uma chave a rodar para fechar. A soma quatro. Eu contei. Foram quatro.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Não. Não posso passar por aquela bela enfermeira sem lhe dizer bom dia. E diz. O Sr. Alberto, já famoso por aquelas bandas, é um bom homem, contam. Sempre bem disposto, de sorriso calejado na cara, o que mais gosta é de cumprimentar quem sempre o recebe para o tratar. É a sua maneira de agradecer, afirma.

Aos oito anos já trabalhava na terra. Ajudava no que podia. Acordava cedo e calçava as galochas para ir tirar o leite à vaca! Segundo o Sr. Alberto, às sete da manhã é quando sabe melhor, uma caneca tirada do balde que usa para ordenhar. O carro de mão também não era coisa que lhe metia medo. Tanto servia para trabalhar como para brincar. Eram as mãos experientes e cansadas do trabalho que costumavam empurrar aquelas três rodas quando lá em cima se sentava. As mãos do seu avô.

A história dele, como costuma dizer, não foi nada diferente da dos miúdos do seu tempo. Histórias pejadas de trabalho árduo nos campos, nas salinas de Aveiro, na pesca do bacalhau. A história dele, como costuma dizer, foi sempre feita à procura de roubar o osso que sobrava na sopa da pedra que a sua mãe fazia. O osso que servia só para dar um gostinho à sopa. O osso que pertencia ao dono da casa, o seu avô, que o deixava sempre ficar com aquele restinho da carne mas que nunca foi carne.

Foi sempre recto na vida. Sempre bem mandado. Boa pessoa. Existem muitas boas pessoas neste mundo, diz. Têm é medo de o ser porque as pessoas boas raramente vão longe. Já ninguém é capaz de viver com tão pouco. O que nem é necessariamente mau! Muito sábio o Sr. Alberto. Ou Albertinho como a mulher o chamava. Sim, o chamava. Teve de a ver morrer à sua frente, culpa da gripe. Ainda a tentou levar ao médico mas a pobre não resistiu.

Aos sábados sentava-se na cadeira à frente de casa para ver os rapazes a jogar à bola. Gosta da juventude. Continua a gostar. Mas foi num desses fatídicos sábados que teve o seu primeiro problema. Apoiado na sua bengala, sentado no cadeira do costume, olhou para baixo e viu que tinha as calças molhadas. O primeiro de muitos que o têm acompanhado.

Hoje, o Sr. Alberto troca a cadeira do jardim por uma ainda melhor. Esta leva-o onde ele quer sem que tenha de caminhar, coisa que já nem consegue fazer. Duas grandes rodas, maiores que a do carro que tinha. Maiores ainda que a do carro de mão! A puta madrasta da vida não lhe poupou apenas as pernas. Para além disso, é obrigado a andar sempre com um saco de mijo atrás. Ao colo, diga-se. Agora, todos os dias passeia um belo saquinho do continente. Já serviu para compras. Pobre saco, hoje serve apenas para o pequeno infortúnio de um homem que nunca o pediu.

Não faz mal. Diz o Sr. Alberto ser um sortudo por ter trocado a cadeira de quatro pernas por uma de duas rodas. Esta, diz ele, permite-lhe sentir o avô a empurrar, por vezes, quando ele precisa de ir a algum lado. Pelo menos é isso que conta aos seus netos. Que nunca lhes aconteça o mesmo. Ou esperemos que sim.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

“Amor é fogo que arde sem se ver”. É este o pequeno trecho, de um poema de Luís Vaz de Camões, que se encontra escrito num pequeno postal que me estendem. É, apenas, mais um na grande panóplia de postais referentes ao dia dos namorados que se encontram nesta estante. Pode ser que venha a dar jeito a alguém! Talvez hoje, talvez amanhã. As estatísticas dizem que o número de flores e chocolates aumentam. Também afirmam que muitos restaurantes ficam lotados, para deleite dos proprietários. A verdade é que as vendas e as receitas demonstram que o dia dos namorados tem bastante significado para a sociedade. E contra factos não há argumentos! Sejam os maridos que procuram surpreender as mulheres, sejam os namorados que anseiam em enternecer a sua cara-metade ou até os apaixonados que ousam namoriscar as suas amadas, todos correm desenfreadamente à procura da melhor surpresa, numa incessante caça ao tesouro organizada pelos estabelecimentos comerciais.

Uns tentam obedecer às massas e cumprir com o que é já aceite socialmente porque “fica sempre mal” não o fazer. Outros procuram afirmar-se dizendo que sentem orgulho em passar o dia dos namorados sozinhos porque também é bonito ser do contra. A verdade é que a maior parte gostava de ter namorado/a e não gosta de passar esse dia sozinho. Nem esse, nem nenhum, porém, o nível de “solitarismo” (chamemos-lhe assim) desse dia aumenta, sendo diretamente proporcional à valorização que lhe endereçamos. Provavelmente pouca gente repara nisso mas o dia 14 de Fevereiro é apenas mais um dia no calendário. É apenas o quadragésimo quinto dia do ano ou o décimo quarto do mês. Calma! Pode não ser! Pode ser um dia especial. Pode ser um dia de aniversário. Pode ser o dia de nascimento de alguém. Até pode ser um dia especial para dois namorados, atenção! Condenável é o facto de ser “o” dia especial e não “um” dia especial. O dia dos namorados, na verdadeira acepção da expressão, não pode servir de desculpa para uma demonstração de carinho. Não pode servir de desculpa para que muitos homens ou mulheres, apenas as emancipadas!, sintam vontade de mimar a sua cara-metade. No dia em que isso acontecer devemos procurar o porquê de precisarmos de uma desculpa para amar.

O amor não precisa de desculpas. E tal como não precisa de desculpas, também dispensa lugares e dias especiais para se fazer sentir. E visto que, como afirma a sabedoria popular, para bons entendedores meias palavras bastam, deixo que os verdadeiros apaixonados percebam o que eu quero dizer com isto. Faria bem em acabar por aqui, porém, sinto-me na necessidade de fazer apenas mais um pequeno aviso de cuidado para aquelas pessoas que procuram a paixão momentânea e a fuga à responsabilidade que um verdadeiro romance acarreta, não vá o diabo tecê-las e inventar um dia também para elas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Das lutas do amor.

Todos os dias vestimos o belo do calçãozinho largo e as luvas de boxe. E todos os dias procuramos entrar naquele ringue quadrado onde lutamos pelo grande prémio: a pessoa que nos aquece o coração. Não, o amor não é um simples organizador de eventos esporádicos. A verdade é que todos os dias ele nos coloca como cabeça de cartaz, colocando-nos também a cabeça a prémio no evento principal. E lá vamos nós, derrotando adversário atrás de adversário. Com gestos, com palavras... cada um à sua maneira. Ouvi dizer que já houve quem mordesse a orelha do adversário para ganhar uma luta destas.

A verdade é que a memória do amor tanto se mistura entre um elefante e um peixe, e deste último já vieram provar que não é como diz a sabedoria popular. Assim nos é pedido que o conquistemos diariamente, numa luta diária pelo que ousamos manter. Sabem? O amor perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. A verdade é que tendo o tempo tanto tempo quanto o tempo tem, o amor não precisa dele. E deixa de ser diário, passa a ser momentâneo. Assente em vários pequenos lutadores fragmentos de tempo, assim corre o amor. Então deixa de haver uma exigente luta por outrém. A luta não vem antes, nem depois. A luta não existe. Faz parte e mistura-se.

sábado, 31 de dezembro de 2011




Hoje vou deitar-me e vou esperar por ti. Para voltares ao que eras. Para te deitares ao meu lado e afagares-me o cabelo enquanto me adormeces. Quero pousar a cabeça no teu peito e ouvir o teu coração a bater bem depressa. Sentir o teu corpo quente. Sentir os teus pés pequeninos a brincar com os meus. Sentir-te simplesmente. E adormecer a cheirar o teu cabelo com aquele leve aroma adocicado. Sentir que quando estou contigo posso sonhar em mil e uma coisas boas.
Ou então vou ter contigo. Vou eu adormecer-te. Não tens escolha, eu quero. Olhar bem para ti enquanto dormes, ver como ficas linda. Encostar o meu nariz no teu pequeno nariz ou tactear os teus lábios. A tua cama é mais pequena que a minha. Mal cabemos os dois. Não importa pequena. Procura o espaço nos meus braços.
Mas dorme. Calma e serena. Dorme...



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Fui-me deitar. Estava cansado mas apesar de tudo chamei-te. Chamei-te para vires ter comigo. Para te ver, para te tocar, para te sentir. Para poder ouvir a música que tens dentro de ti, esse rimbombar de tambores que provoca alterações rítmicas nos meus.

Disseste-me que não.

Eu não percebi. Não percebo o que te faz negar constantemente o meu olhar. Será medo? Não sei. Por mim? Por ti? Por alguém terá que ser.

Deitei-me. No escuro abracei-me à almofada. Fechei os olhos para te poder ouvir mas tu não estavas lá. Esperei uma brisa que me pudesse mexer os cabelos. Mas ela não apareceu. Esperei uma gota vinda de nenhures que me pudesse molhar a face que tanto anseia pelos teus lábios. Mas ela não apareceu. Procurei a companhia nos braços dos lençois. Mas ela não apareceu.

Diz-me... quem sou eu? E quem és tu? E o que é isto?

Aparece e faz desaparecer tudo o que eu procuro em outrém. Tu!




“E em África quando há fome as crianças comem terra. Quando se tem fome, come-se o que há. O simples acto de mastigar e engolir seja o que for pode não alimentar o corpo, mas alimenta os sonhos. E os sonhos com comida são como os outros sonhos – pode-se viver deles até morrer.”


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Os anos que nós (não) temos.

Pedem-me o tempo, pedem-me a vida. Pedem-me as histórias, pedem-me as palavras. Pedem-me tudo.

Quando tudo começou, eu era apenas uma criança. E que criança! Aos cinco, pediram-me para ter dezoito. Aos cinco, roubaram-me o chão e mandaram-me aprender. Para muitos isso acontece aos seis. A mim foi aos cinco.
Aos nove voltaram-me a pedir para ter dezoito. Nem foi preciso tanto. Aos catorze, aí sim. Pediram-me para ter quarenta, quiçá cinquenta.
Não continuemos sem relembrar que aos doze me pediram para ser velho e enfrentar a morte que, ao meu lado, me cumprimentou.
Aos dezoito, pediram-me para ter muitos mais. Entregaram-me ao mundo. Eu não fui ter com ele.

Muitas vezes pedem-nos para ser grandes. Antes custava mais. Agora? Agora é fácil! Agora, os 5 anos continuam lá, nos momentos de brincadeira. Os cinquenta precisam-me em cada difícil decisão. Os noventa, esses, muitas vezes sinónimos de sabedoria, são constantes.
E eu cá estou. Com vinte e dois anos feitos, vinte e dois para o mundo.
Os outros anos, esses, são apenas um baloiço. Amanhã lá estarei eu à espera do que há-de vir.

domingo, 23 de outubro de 2011



Sentes que apesar de tudo, nada foi em vão. E um dia aprendes que sentir saudades nem sequer significa que queres estar com alguém. Ou que alguém queira estar contigo.
A apatia relevada para primeiro plano permite-te perceber que afinal talvez as coisas não fossem como pensavas. Como desejavas que fossem.
Mas apesar de tudo sentes-te bem.
Não tenho saudades tuas. Das coisas que me deste, saudades não foram uma.
Mas sinto.
Sinto, pois sinto. Saudades daquele carinho partilhado entre duas pessoas que não sabem mais do que podem no verbo amar. Um erro.
Como diria o meu amigo Tiago, um verdadeiro sábio, onde tudo morre tudo pode renascer.
Talvez mude. Quando deixares de sentir saudades.
Quando sentires falta.

sábado, 22 de outubro de 2011



E então dava por mim a percorrer as ruas à procura do mais belo girassol. Encontrava-o, olhava em volta à procura dos seus olhos protetores que já não estavam e lá me punha, com o coração aos saltos, não sei se da adrenalina se por ser para ti, a fanar algo que era de outrem.
Bons tempos, aqueles em que arriscava pouco por apenas mais um bocadinho.
Agora passo pelos sítios onde cometi tais criminalidades e sorrio. Roubei dali um bocadinho do nosso amor. E que amor.
Para o ano eles lá estarão outra vez. E eu cá estarei para eles.
Talvez os seus donos os plantem já à espera que os apaixonados lá passem.
É isso. Só pode ser isso.
Quando eu for grande vou plantar girassóis à espera que alguém mos roube.
Talvez um dia passem à minha porta e digam: "Aqui mora um senhor que gosta de cultivar o amor."


quarta-feira, 19 de outubro de 2011



Chegou o momento de fazeres aquilo para o qual nunca tiveste coragem. Ou mesmo vontade.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Das relações.

Quero, através de algumas palavras, tentar explicar uma pequena visão que tenho acerca do final de cada relação. Uma pequena crítica construtiva, vá!
Deixem-me dizer que desprezo todo e qualquer pensamento de fatalidade numa relação. E com isto, não quero dizer que sou um belo de um sonhador que acha que todas as relações que construímos duram para sempre. Não, não é isso.

Acho que quando arriscamos ir mais longe em qualquer relação, criando logo uma certa cumplicidade, essa pequena noção que temos que um dia tudo irá acabar deverá desaparecer.
Vivam como se a relação fosse durar para sempre! É isso que interessa. Se é isso que querem porque não corresponder a essa expectativa?

Se entrarem numa relação (seja de amizade ou mesmo de amor) e ficarem a olhar lá para a frente, para o fim (se é que ele existe), vão esquecer-se de dar o máximo cá atrás. E o máximo cá atrás é que pode fazer toda a diferença para que esse fim se prolongue ou deixe mesmo de existir.

Caramba... As certezas, embora odiadas, também são precisas. São as nossas pontes, os nossos suportes. E se eu não tiver a certeza que vou ficar contigo para sempre, que é isso que quero, quem sou eu para dizer que me entrego e tento manter esta relação? Todo o ímpeto e entrega desaparecerão à partida.
Agora escolham. Querem viver à espera de um fim (como se isso magoasse menos) ou querem pensar que amanhã eu vou estar aqui?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Que tontos, nós os dois. Não me deixaste ir embora sem um abraço, como sempre fazes. Gostas demasiado de mim, suponho. Um abraço há muito pedido, por nenhum de nós, os nossos corpos exigiam-no e o sentimento apelava por algo muito nosso. Foi quase como um reencontro, arrisco-me, senão um mesmo! Depois de muito foi assim tanto? tempo longe, de alguns problemas ultrapassados andas à procura de um chão para descansar e eu apenas te dou tecto para ficares de pernas para o ar não me deixaste ir embora sem um abraço, como sempre fazes.


Desculpa, reparo nas coisas, como já sabes. Pequenos pormenores. Abraçaste-me com força cuidado com a cabeça! e começaste a brincar comigo com o que mais gosto em ti. O nariz. Cheiraste-me uma, duas e três vezes como quem pensa que à terceira é de vez. Como quem quer guardar o cheiro com medo de o perder no segundo seguinte.



Criaste toda uma bola por onde rebolámos os dois e que olhares tu lançaste, que vi numa face de medo que não a tua, quando se tentaram intrometer no meio de nós. Gosto de te sentir junto a mim, um donut, deixa roubar tempo ao tempo para não ficarmos sós.



Já te conheço o cheiro, sabes? Para mim, cheiras a torradas com manteiga com um toque de melancia. Sim, é isso. É a isso que cheiras. E se por acaso algum dia deixar de te ver porque não prometo amanhãs embora sejam necessários, lembrar-me-ei sempre de ti quando sentir esse cheiro no ar. E vou ficar feliz e sorrir muito. Porque vou perceber e como eu gostava de o partilhar contigo! que os meus para sempre fazem sentido.


E tu vais estar comigo.

domingo, 21 de agosto de 2011




Desculpa. Quero pedir-te desculpa. Porque gostavas de mim tal como eu gostava de ti. Tu nunca disseste nada e eu nunca me achei suficientemente bom para ti para to dizer. Podíamos ter sido felizes. Bastante felizes até.
Mas não fomos.





De que serve a preocupação quando somos a causa da tristeza?



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Na vida, não há otimistas nem pessimistas. Há, simplesmente, bons e maus mentirosos. Nós não estamos bem, nunca estamos bem. Vivemos nessa eterna ingratidão para com a vida porque somos mesmo assim, insatisfeitos. O que nos obriga a puxar uns cordelinhos da nossa veia mentírica para deixarmos o que vai lá dentro em bom ou mau estado.

Não vale a pena mentir. É assim e assim terá de ser sempre. Quando perdemos alguém, por exemplo... "Agora, só tenho que continuar. Não vale a pena ficar a viver lá atrás". É numa típica frase destas que começa uma das muitas maiores mentiras da nossa vida. Ao segundo dia, voltamos a pensar o mesmo. E assim vamos alimentando o nosso bem-estar. Porque somos bons mentirosos. Ninguém fica bem depois de perder alguém importante. Isso é estúpido. Mas, infelizmente, é necessário. "Everybody lies" como diz o House, é o estritamente necessário para uma relação saudável. Uma relação minha para com o mundo, o meu mundo.

Sim, há bons e maus mentirosos. E é por isso que passado um certo tempo, ficamos bem. Porque uma mentira mil vezes repetida, torna-se verdade. Mintam! Não sejam sinceros convosco próprios, porque não vale a pena. Ou sejam, à vontade.. O tempo encarregar-se-á do resto. E quem não conseguir mentir... Não vai ficar cá para contar a história. Ficam as marcas. Infelizmente, ficam as marcas.