sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

3.º encontro "letras no caminho"


Hoje, dizem, acaba o mundo. Mas amanhã recomeça. E para recomeçar em grande, vai haver encontro do "letras no caminho". Desta vez é em Aveiro e o ponto de encontro é a estação de comboios às 10h.

Traz almoço, boa-disposição e vontade de conhecer gente nova. Aproveita e traz um amigo também!

Podes ver o evento no facebook aqui: http://www.facebook.com/events/390490101039941/

A propósito, agora já podes seguir o "letras no caminho" no facebook (encontra o link na barra lateral).


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Quem me dera poder mostrar-te.

Porque é que tudo isto que chamamos de amor tende sempre a separar-se de nós? Fazer-nos separar, partir corações e alterar estados que não são na realidade os nossos? Oh meu amor, como anseio pelo teu colo, pelo teu peito fofo, para lá deitar a cabeça que me pesa tanto por pensar em coisas que simplesmente não deveria.

Olho para os seus olhos, para o brilho que fazer nascer em ti, seja à noite ou durante o dia. A magia que a tua voz faz nos meus ouvidos. A maravilhosa maneira como tudo em ti se parece encaixar tão bem.
Eu tento abraçar-te mas não o quero fazer. Tento beijar-te, mas também não será isso que eu na verdade quero dar-te. Quero dar-te aquilo que não te posso dar fisicamente. Apenas só o sentimento que tenho por ti, em palavras, em ideias, em tanta coisa. Mas mostrar-te as coisas que o meu coração sente e as memórias que revivo dentro deste meu corpo é que se torna tão preso dentro de mim. 

Quem me dera meu amor. Quem me dera poder mostrar-te.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Ouroboros

Eternidade.
Amo-te Eternidade.
O teu conceito confunde-se 
Com a definição de infinito
Embora jamais se toquem
Nesses vossos círculos devastadores.
Regressas sempre.
Invariavelmente.
Eternidade, tu que te devoras
E que de ti crias vida,
Em ti me deposito
De ti me encho
A ti te amo.  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Quando nos faltam as palavras certas

Se eu tivesse as respostas eu escrevia-tas sem dúvida nenhuma, nem hesitava responder-te de forma clara a tudo aquilo que que perguntas ao diabo. Rasgas os pulsos na tentativa de largar lágrimas de sangue, soltas os gritos desesperados que te fazem cortar a garganta. Arrebentas com o coração com amores que não sabes como te conseguem manter viva, se bem que de alguma maneira aguentas e gostas de ser torturada de dentro para fora. Pedes a alguém que faça alguma coisa para te livrar dessa possessão de que tanto falas. Essa possessão que te trás tantas dúvidas, tantas doenças às portas do céu desse teu delicado e petrificado coração. Evita encher-te de esperanças. O circo já passou e agora só te restam as noites passadas a chorar.

Eu e tu partilhamos a mesma doença. Cobre as feridas, as cicatrizes dos cortes que se espalham pelo corpo. Somos dois cadáveres de letras, dois cadáveres possuídos pelo medo de morrer sem antes concluir todas as obras a que nos propusemos acabar antes do nosso tempo...

Quando nos faltam as palavras certas para escrever o que não queremos perder...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Ela olhou-me, com olhos preguiçosos de quem acordou no momento errado. Olhou-me, e disse que me tinha ouvido chamar por ela. Estava prestes a entrar num carro, e ouviu-me chamar. Veio ver o que se passava fora do mundo dos lençóis. Palavras lentas e lânguidas abriram caminho pelos seus lábios. "És maluca.". Eu ri e embalei-a para o resto da aula. Acordou no fim com a cara marcada pelo sono e pelo estojo em que se deitara.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Creio eu, em linhas vagas, que a maior injustiça do amor é quando duas pessoas são perdidamente apaixonadas uma pela outra, mas não conseguem ser felizes juntas.

domingo, 25 de novembro de 2012

sábado, 24 de novembro de 2012

O coração está selado...

Se eu não te tivesse conhecido talvez tudo o que crio com as palavras, tudo o que anseio realizar, seja sem ti, seja ao teu lado, têm sempre um significado ao qual ainda não consegui dar uma explicação. São tudo coisas que tu vezes e vezes sem conta me destes sem te aperceberes, pequenas coisas que filtro vindo de ti. E eu sei que tenho um demónio dentro de mim. Um alguém que me dá perversidades capazes de destruir a nossa relação. Mesmo que assim seja, já mais poderei eu agradecer, seja com palavras ou gestos tudo aquilo que tens feito por mim. Tudo aquilo que deste de ti, para que eu simplesmente ficasse bem, com este sorriso que me rasga o rosto. Tudo para que o demónio fosse de uma só vez embora deste meu corpo que tu tornaste tão teu.

O coração está selado. Esse será para sempre teu. Não vejo outro ninguém que possa fazer tanto como tu, minha rainha. Levanta-te para que me ajoelhe diante de ti para me dares a permissão de continuar a acarinhar o coração da cor da cereja. Para te encher de mimos, sorrisos e razões de viver.

Encontra mais textos meus aqui.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Incrível como tudo nesta vida se processa ciclicamente.
Adeus passado, talvez te veja amanhã.

O cúmulo da deprimência:

beber chá, enroscada numa manta peluda, a ler textos sobre a Revolução Liberal enquanto ouço Amores de Verão de Marco Paulo que, não sei por que carga de água, está na minha playlist.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


Tenho imensos abraços guardados. Alguns marcados levemente como gravuras, tal e qual pedra granítica, gastos pelo tempo, mal cuidados, órfãos de toda e qualquer preocupação maior. Apesar de tudo, pequenas letras sulcadas ainda se fazem notar... Um pequeno J ali, um A acolá...
Também existem aqueles marcados a ouro. Têm nome, data, e alguns pormenores interessantes. Quem diria que o simples cheiro a chocolate no ar podia perpetuar um abraço numa tarde de verão de 93. Chocolate, sim. 
Mas são aqueles que guardo, sem nome nem senhor, que me são demasiado. São aqueles que cá ficaram, abandonados, frutos do temor, à espera de alguém que lhes possa dar nome. Sentam-se ali sozinhos, invejando inocentemente os outros, os que tiveram a sorte de marcarem a história e não se acagaçarem perante a felicidade. 
É isso. Tenho abraços à espera de um nome. Do nome e da história. Abraços. São abraços.

in umadosedetemáticas;

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Eu sou feita de saudades. Nas veias, substituíram o sangue, e o coração já não bate, suspira.

Estou tão incompleta quanto estas frases.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Não me contes segredos alheios. Quero saber os teus. Quero conhecer-te as manhas e os feitios. Quero conhecer-te os contornos por dentro. Quero ver com os teus olhos, essa vida que levas, para que a entenda e te ame. Quero que me vejas como eu me vejo, para que entendas o sentido de tudo em mim e em ti. Quero porque querer sempre nos bastou e nunca nos impediu de, com um olhar, fazer amor eternamente, ao luar, de velas acesas.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cresce dentro de mim...

Cresce dentro de mim um novo amor. Uma nova forma de te aperfeiçoar os cantos e recantos desse teu delicioso coração.
 Há uma amargura que se apodera de mim e me transforma na pessoa que durante a noite não quer saber de ti. Mas que durante o dia se preocupa, que se prepara durante horas para cuidar, para te receber de braços abertos, para te beijar de novas formas, sempre com o amor na ponta dos dedos. Aperta-me as entranhas saber que o teu sorriso poderá não ser tão verdadeiro como gostaria que fosse. Que o teu olhar seja falso, deprimente, triste, enfraquecido como nunca o fora. Ou que a alma te seja sugada por uma espécie de horror qualquer que te invada o corpo apenas com esse efeito. 
Eu estou aqui meu amor. Estou aqui para te defender, para te livrar de todo esse mal que poderá alcançar o teu ser, a tua pessoa, o teu coração.

Não quero que percas essa tua amorosa personalidade. Esse teu amor que só eu vejo. O amor que me transmites só de olhar para mim, só me tocar com os teus dedos, o teu jeito, a tua maneira carinhosa de me fazer abraçar-te. Apodera-se de mim um carinho que só tu sabes acordar dentro de mim.

Não me faças perguntas difíceis, meu amor. Não me faças prometer algo que eu não saberei cumprir. Sinto-me mal, agora. Talvez porque ter de conviver contigo sem me lembrar do que passámos será um fardo demasiado pesado para carregar. Sei que vais carregá-lo comigo, meu anjo. Mas ele não se tornará mais leve por isso. Muito pelo contrário. Vai custar mais, por saber que carregas o mesmo fardo que eu. Por saber que, como se não bastasse, terás também de carregá-lo. E tu não mereces isso. Apesar de saber que tu pensas que eu penso que mereces. Não guardo rancor nem ódio. Guardo apenas a saudade dos nossos corpos fundidos num só. Das nossas mãos entrelaçadas ou dos passeios pelo parque que nunca demos. Guardo a saudade das tardes chuvosas no sofá, das manhãs geladas na cama e das noites entre amigos.
Guardo o meu amor por ti. Que vou sentido, dia após dia, e protegendo. Para evitar as nossas mágoas. Guardo a certeza de que me amas e me queres mais que ninguém. Mas que, por nós, vais esconder do mundo e seguir a tua vida.
Não te prendas, meu amor. Não te prendas por mim nem por esse amor que sentimos. A vida é assim. Por mais que isso nos custe. Longe ou perto, estarei sempre aqui. Contigo.

Com amor, da mandita.

domingo, 7 de outubro de 2012

Receio apaixonar-me por ti. Que o tempo que passamos juntos, até depois do adeus, não seja suficiente, tal como o tempo passado nos teus braços, em que me sinto liberta do mundo, nem que seja só por alguns segundos. Receio principalmente ser enfeitiçada pelo teu sorriso constante e pelos teus olhos, sóbrios e livres de qualquer ódio ou dor. Com o teu cabelo é a mesma coisa. Cai em madeixas perfeitas, pequenos tufos que sonham ser caracóis sem casca. Tens patas de corvo nos olhos, as melhores marcas, e a voz de mel que sai dos teus lábios acalma e adormece todos os meus receios. Receio apaixonar-me por ti.
Ups.

sábado, 6 de outubro de 2012

Tantos pesadelos...

Tenho 22 anos neste momento. 22 anos que passaram sem me aperceber, sem lhe dar a mínima atenção. E então, hoje parece que me apercebi que estava a perder a minha vida. As coisas mais pequenas, as tais a quem eu devia dar importância ou um significado ainda maior, surgiu-me assim, como que de repente. De tanto que já fiz de mal, de tantos pesadelos a que sobrevivi e a tantos sonhos em que me mataram, cortando-me o fôlego em tantos momentos durante tantas noites, cresce agora dentro de mim uma força, um turbilhão de vidas e histórias para serem contadas e sinto não ter o tempo necessário para o fazer. Julgo, sem saber o tempo que tenho de vida, como se culpasse o tempo, talvez, por não conseguir escrever e viver tudo o que eu quero. Parece que todos os pesadelos que me atormentam à noite, se tornaram na única fonte de inspiração, os únicos que libertam a adrenalina presa no meu corpo.

 O meu alter-ego quer um mausoléu digno de um rei. Não sei se isso alguma vez será possível!!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Talvez seja só eu.

Eu cá sou da opinião que no amor, o mundo sente-se a dois. Tudo pouco importa quando se tem alguém que partilhe os dias connosco.

domingo, 23 de setembro de 2012

então hoje sinto a tua falta
sem que compreenda o que sinto no entanto
e embora procure e procure e procure o significado
de falta de necessidade
só consigo encontrar a minha cabeça
a encher-se de um milhão de infinitas imagens
tuas
então hoje sinto a tua falta
chama-lhe saudade se quiseres
que eu deixo

sábado, 22 de setembro de 2012

Improviso sem música...

Caminho sozinho pelos passeios da cidade. Com os auscultadores nos ouvidos, privo-me dos sons que o mundo emite. Fecho-me dentro da minha concha, protegido pela minha bolha de algodão doce. Procuro com o olhar gente que me seja boa ao primeiro trocar de piscar de olhos. Procuro aqueles que rotulamos de "imorais". Na mochila trago o caderno de capa preta, uma borracha, um apara-lápis umas quantas folhas com letras rabiscadas e neste amalgamar de letras e imagens impressas de variadíssimas tintas, estão revistas, livros a meio e fotografias imprimidas.
Tento encontrar neste ambiente que crio dentro e fora de mim, um sentimento, um pensamento ou o despertar de um belo sonho que até hoje não tive ou que o recorde com facilidade, para que tenha uma epifania e possa escrever as mais belas coisas que já li de mim.

Improviso sem música e com vontade de nunca parar de escrever. Mas isto é agora, pois daqui a pouco a magia irá perder-se no tempo e no espaço e ficarei novamente sem motivação ou como se pode dizer? Sem a adrenalina a correr-me pelas veias do corpo.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Imprimo o teu sorriso...

As nossas fotografias invadem-me a cabeça. Soltam alegrias que vivemos naqueles momentos em que o sol estava cheio de felicidade para dar a toda agente. Tenho tantas saudades dos dias em que tirávamos fotografias. Agora a máquina fotográfica está arrumada no armário a ganhar pó. Olho para ela e recordo-me de todas as fotos e esqueço-me de tantas outras que aquela máquina tirou. [Ler mais aqui]
Somente somente somente
nós.
Somente nós e nada mais para além disso, e tudo o que é nosso, tudo o que nosso será e nosso se tornará e nós somos, somos nós, somos somente nós e ainda assim somos todo o Mundo.
Somente, somente nós e dói e custa e assusta reduzirmo-nos a nós e nada mais para além disso, mas ainda assim conservamos em nós tudo o que é possível conservar num ser humano, neste espaço exíguo, nesta coluna apertada de oxigénio e de dor nesta cabeça apertada e apartada da comum realidade.
Olá? Está aí alguém?
Somente, somente, somente nós.

Carta de amor I por Leonor Neto

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Estórias irreais.

Nunca escrevi algo que não fosse real. Nunca consegui incorporar personagens que não me tivessem já passado na pele. Mas ontem à noite, pela primeira vez, consegui viver algo que não vivi. Consegui ser quem nunca tinha sido, ao escrever, vivi e senti personagens fictícias, que eu própria criei. Ontem, ao contrário de sempre, escrevi uma história que ainda não foi ditada. E para meu espanto, integrei-me nela. Sentia-a como se fosse a minha. É a isto que eu chamo evoluir no que sou e no que faço. E estou contente com isto!

sábado, 21 de julho de 2012

Eu amo-te. De uma forma frágil, agora. Susceptível ao toque de outrem ou às tuas palavras  que caem no chão como pedaços de vidro que nos doem no peito pelo simples barulho que fazem. Amo-te. Assim, desmazeladamente. Inconscientemente. Ao sabor do vento e ao ritmo das batidas de um coração perdido e magoado nas entranhas do teu corpo. Ao florescer de um desejo que me arrepia o corpo e me deixa sem forças. Amo-te. Amo-te demais, ainda. Como sempre te amei. Amei-te sempre em demasia. E tu vinhas e ias e voltavas. E eu, parva por te amar demais, deixava.

sábado, 14 de julho de 2012


Não sei contar as despedidas. Sei-as sentir. Sinto-as demais às tantas. Sinto-as até o coração me escorre na cara, e a dor que me sai dos olhos se torna em algo insuportável. Sinto-as a mais. Dizem que é normal senti-las assim, é Latino, é-me normal, pois enão. Larguem-me os olhos, o coração e as mãos apertadas. Larguem-me o nó na garganta. Pois então, digo eu, que acabem com as distâncias, que as deixem contar e proíbam de sentir. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Confissões #1

Não sei qual é o vosso leque de opções no que diz respeito a actividades para afogar as mágoas, mas o meu, ultimamente, resume-se a dirigir-me à Bertrand para estoirar quantias abismais. Desde a sexta feira passada já constam cá em casa mais 11 livros. E nenhum a menos de 15€.
Chamem-me louca, mas isto realiza-me! Pelo menos já passei a fase em que se come que nem porcos mesmo se ter fome, e da fase em que se compra montes de roupa que, na melhor das hipóteses, só será vestida uma única vez.
Um viva para mim, yeah!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

starry, starry night




Quase dois anos volvidos e ainda não soube lá voltar. Nem sei se saberia dar contigo, sabes? Nunca gostei daquilo, é só um monte de terra e um monte de terra não me parece suficiente quanto mais digno. Merecias pelo menos uma lápide, uma pedra com o teu nome - Fábio. Se bem que Fábio não serviria de muito. Muitos provavelmente nem saberiam de quem se tratava. O melhor seria talvez ter o teu, digamos, verdadeiro nome. Nem eu sei a quantidade de vezes que te disse "És tão Pazito, Pazito". Às vezes ainda sonho contigo. As aulas já começaram e tu entras de rompante, como quem nem viu a porta, como se não houvesse porta. E depois o teu telemóvel toca e tu desapareces do mundo ao som dos Metallica. Fui ao teu funeral e depois só consegui voltar lá a onze de setembro desse ano, data na qual deverias ter feito dezoito anos. Por vezes imagino que nada daquilo aconteceu, que te chegaste a candidatar à universidade e que estás neste momento algures no interior do país a estudar história. Há dias em que parece que te vejo no meio da multidão. E depois apercebo-me que não pode ser porque tu simplesmente deixaste de existir. Costumávamos dizer, em jeito de brincadeira, que tu tinhas sido o primeiro atentado. Lembras-te disso? Nós ainda nos lembramos. Quase dois anos volvidos e ainda não soube lá voltar.

sábado, 30 de junho de 2012

Quando...


De uma ponta do céu ao outro vagueio com a intenção de lhe tirar toda e qualquer experiência que obter. Sei que não consigo voar, mesmo que assim não seja possível na minha cabeça continuo a imaginar qual seria a sensação de conseguir tocar nas nuvens, mesmo sabendo que não existem nuvens sólidas. Qual seria a emoção que sentiria se voasse sem cabos, apenas livre e a qualquer velocidade que quisesse ir. Correr os céus de lés a lés, por cima dos sete mares e ir a todos os continentes.

Enquanto escrevo o que vejo e sinto quando me imagino no céu, penso em ti. Solto um sorriso descontraído e tímido. Penso em ti, minha luz. A minha alma sorri e quando olho para o céu e me recordo do teu rosto, já não vejo nuvens, não vejo sol, não vejo o fundo azul que dá à paisagem verdejante aos meus pés um tom infantil. Apenas vejo o teu rosto, o teu sorriso rosado e descomplicado. Vejo os poros da tua cara, vejo os lábios secos e avermelhados.

Por muito que queira sentir o céu, continuo a sentir-te a ti. Penso que é isso que me faz querer sentir o céu, para saber se o que imagino de sentimentos é tão parecido com aquilo que sinto quando te imagino à minha frente. Quando... quando te aperto nos meus braços e sinto o amor a ser espremido do teu rosto em forma de sorrisos.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

contem-me estórias.

Num passeio. Em frente a uma loja. Quando ela se baixou para apanhar os livros. Quando ele me emprestou o guarda-chuva. O que quer que tenha sido, contem-me estórias. Estórias de como conheceram um grande ou um pequeno amor. Como conheceram uma pessoa que mudou a vossa vida. Ou que a arruinou. Falem-me de primeiros encontros, de primeiros olhares. Não têm de estar escritas com palavras bonitas, nem tão pouco ser verdade. 
dancemearoundtenderly@hotmail.com  - deixem que vos oiça.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

o teu solstício

ontem foi solstício de verão, e o ano de todo o hemisfério norte concordou em entrar, com total abnegação, numa nova fase da sua vida.

hoje é solstício de verão na tua vida. passas a ser considerada grande, passas a ter de ser bem comportada, a ter responsabilidades, e essas chatices todas. hoje, neste teu solstício, deixo-te só cinco palavras, carolineta: não deixes de ser criança!


vá, agora quero ver todos a dar os parabéns à PR'', não é todos os dias que se faz 18 aninhos!

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Sole Mio!

Sempre que o solstício de Verão se aproxima, a minha alma altera-se na cor e na forma. Todos os anos, é já rotina. E eu não canso de ver o bem que isto me faz.

E este ano veio a calhar, ou arriscava-me a deixar todas as cadeiras para trás!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

sábado, 9 de junho de 2012

e depois olho-me ao espelho
e tudo o que é meu é vítreo, trivial
lívio
o meu rosto carcomido e sulcado
os meus traços desidratados e transparentes
a minha fragilidade emudece-me e ainda assim
contenho mais em mim do que quem de mim
desistiu

quinta-feira, 7 de junho de 2012

És tão fofinha e cheiras tão bem, e às vezes quando te abraço parece que estou no Alentejo.

- disse o caracol à casca.




com a colaboração de Inês (?)

terça-feira, 29 de maio de 2012


Está escuro e não gosto de estar sozinha. Nunca gostei de estar sozinha. Nunca quis estar sozinha. O silêncio sempre me fez confusão, o silêncio sempre trouxe mais medo. E ter medo não pode ser bom, ter demasiado medo não pode ser bom. As saudades escondem-se em buraquinhos que vão encontrando, em buraquinhos que não soube preencher, ou que deixei que se esvaziassem. Mais buraquinhos trazem mais saudades e mais saudades trazem mais dias sozinhos. Está escuro e não gosto de estar sozinha. Não quero sair à rua porque na rua há pessoas e com as pessoas é suposto criar amizades. Mas quanto mais amizades menos Inês há para dividir… E se a Inês não se dividir passam a existir mais buraquinhos. Deixei de sair à rua para fugir dos buraquinhos. Mas em casa, em casa também nascem, esses buraquinhos. Há buraquinhos em todo o lado. Se calhar mais vale sair à rua. Mesmo que esteja escuro, mesmo que esteja sozinha. Pelo menos não há silêncio, pelo menos o silêncio fica em casa. E, quem sabe, também os buraquinhos.

domingo, 27 de maio de 2012

quarta-feira, 23 de maio de 2012

chorar e nascer



contavam-se já vinte e três dias ao quinto mês do ano de mil novecentos e noventa e três. ela nasceu. rompeu-se o silêncio e ela nasceu. primeiro chorou, depois nasceu. e como lhe soube bem nascer.

consta que a partir daí, chorou muitas vezes, mas nunca mais nasceu. a partir daí, dizem, sempre que chorava, esperava, sem dar por ela, um nascimento.

ao início, ainda lhe acorriam ao choro, alguém a segurava no colo e lhe segredava palavras bonitas ao ouvido. mas nascimento, nem vê-lo!

depois fartaram-se, mandavam-na calar quando chorava. até a tomavam por birrenta. é normal, que ela é criança!, diziam. mas nada de nascer, que era o que ela queria.

então aprendeu a chorar sozinha. mas no fim de chorar, vinha o silêncio. e continuava sem nascer.

por entre choros sem nascimentos, estava o mundo. ela pegou num sorriso e pô-lo aos ombros, para as horas vagas. e caminhou. caminhou sem parar. dezanove voltas ao sol depois, ainda caminha.

por entre choros sem nascimentos, nessa busca que todos fazemos, tive um dia a sorte de a conhecer.

e, sem chorar, nasci.

sábado, 19 de maio de 2012

Há só uma coisa que resiste ao tempo: as palavras.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Às vezes somos confrontados com a acostumada pergunta "o que queres ser quando fores grande?" e recentemente adquiri a sensação de que a pergunta nunca foi correctamente formulada.
O que quero fazer quando for grande?
Ser capaz de conceber o Mundo apenas com as minhas palavras.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Se fizeres todos felizes, tu estás feliz. Então, se estiveres feliz, farás os outros felizes.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Neste dia de sol, o nosso sol faz anos :')


Já deram um beijinho de parabéns ao nosso Luís Nuno Barbosa, que hoje faz 21 aninhos?
Força. toca a mexer ; )

Parabéns Luís Nuno *

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Hoje posso só arrancar-te um pouquinho do coração? Posso tirar-te de lá e fingir que não ocupas todo aquele lugar?

Posso? Posso? Por favor, preciso tanto de ser só eu. Por favor.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

choveu chocolate ontem à noite

choveu chocolate
ontem à noite
cobriu o jardim as folhas e as flores
os telhados os bancos e as pedras da calçada
cobriu o céu castanho e acidentado
cobriu o pavimento demasiadamente calcado

choveu chocolate
ontem à noite
e por momentos de chocolate me tornei
enquanto dançava ao lado do meu guarda-chuva
dando umas quantas voltas tontas e quase surda
um pouco desse doce em mim guardei

domingo, 15 de abril de 2012

Aproveitando que já aqui deixei alguns poemas escritos para um concurso, publicarei também este. Escrevi-o para um concurso de química, organizado pelo centenário de Marie Curie. Aguardo os resultados.

Primeiro,
temos um humano
sozinho
humano que
ignora a felicidade
da amizade
logo
é feliz.
Se
lhe juntarmos companhia
Descobre a dependência
E na sua eloquência
É feliz.
Contudo,
a amizade não perdura
e a solidão é agora dura.
Obtemos um humano
sólido e insolúvel.
Não pode ser feliz.

em chávenas de amor.

A minha história são todas as palavras que deixei por dizer. Os gritos que resolvi calar com medo que passassem despercebidos neste mundo que não pára para ouvir ninguém. As cicatrizes que me cobrem o corpo e as que me queimam a alma. A minha história está bem guardada, para quem um dia a quiser ler.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Esqueci-te.


Hoje perdi-te entre cem folhas e mil linhas. Perdi-te num caderno azul esverdeado que me acompanha todos os dias. Acompanha todos os dias e hoje esqueceu-se-me. Como foi sequer possível? Deixei-te ali, em cima daquela cadeira azul, ao pé de toda aquela gente. E tu, escrito em tantas daquelas páginas, fugiste de mim.
Como fui eu deixar-te a mercê de umas mãos quaisquer? Como pude eu ser tão descuidada contigo?
Prometo não voltar a deixar-te assim, não naquele caderno, com tantas palavras tuas e minhas, com o primeiro beijo, com tantas noites só nossas.
Prometo não me voltar a esquecer de ti, meu amor.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Se até os Deuses choram hoje, porque raio hei-de eu levantar-me daqui?!


Hoje não acordei. Tenho dias assim, em que a alma se agarra aos lençóis porque a vida é demasiado cruel. Ver a chuva cair lá fora não ajudou - que dia triste, este!
Se até os Deuses choram hoje, porque raio hei-de eu levantar-me daqui?!
Dei meia volta sobre mim, revirei a almofada e esvaziei a cabeça. Mas a alma, essa não. Está cheia de cansaço. Então deixo-a deitada, a repousar para que amanhã esteja em forma para enfrentar um novo dia. Hoje deixo-a de férias. Levanto apenas o corpo, então, e levo-o até ao sofá. Estão a dar desenhos animados na televisão: ainda bem que a alma ficou na cama, se não sentir-se-ia tão triste ao saber que hoje em dia já não são tão educativos como no seu tempo.
Como sem alma o meu corpo não trabalha, hoje estou de férias.
Hoje vou chorar a saudade de me sentir bem. Pois hoje, estou tudo, menos bem!

P.S: já tinha saudades disto aqui, de vocês.

domingo, 8 de abril de 2012

bailarinas de papel.

Olhei para aquela folha arrancada de um caderno, e pareceu-me amor sem esforço. Arte criada por mero acaso. E foi aí que me apercebi que és um livro de histórias, e que cada movimento teu vem cheio de um sabor a maresia que me fascina sempre, como se fosse a primeira vez.

(arranjei uma casa nova: http://folhasdegelatina.blogspot.pt/)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Uma simples dor.

Páro, arfante e cansado, no meio de uma ponte de madeira. Uma das duas que existem no parque. No meio do lago, apenas se vê um pato. Estamos no início da primavera e o lago não merece mais do que um simples pato. E ali nos encontramos. Sós. Ele sozinho no meio da água, eu sozinho no meio da ponte.
Estou a meio da minha corrida diária e este é o meu ponto de paragem para alongamentos e algum descanso. Gosto deste lugar. No inverno não se vê vivalma. No verão é onde se encontram aqueles com mais primaveras  que decidem jogar dominó ou pôr a conversa em dia. A conversa que é sempre a mesma, contada de mil e uma maneiras diferentes. A conversa que espera sempre por alguma novidade, carente da aldeia onde vive.
O meu olhar levanta-se do chão e prende-se num pequeno banco do outro lado do lago. Foi ali que uma vez me levantei e deixei para trás o grande sentimento que sentia. Foi ali que o perdi e é ali que ele permanece, angustiante, estendendo-me os braços à espera que o vá buscar. Não, não vou porque não quero. Porque decidi escolher a felicidade ao invés do amor e dele não tenho sentido falta. Com ele ficaste tu, de ti lembro-me eu todos os dias. Porque no final fica só aquela boa lembrança de que tudo aconteceu e dos nossos momentos apenas guardo os melhores. Ficam os muitos ovos de kinder que escondemos um do outro nas milhares de caça ao tesouro que organizámos. Ficam os pinguins que imitámos e que decidimos ser antes das coisas não correrem como previsto. Ficam as mãos dadas e os sorrisos partilhados de coração cheio. Ficas tu.
Tudo porque escolhi não te voltar a ver depois disso. Uma decisão infantil mas necessária.
Olho para o céu. Cinzento. Está na hora de continuar a correr. Os músculos já doem, mas não me impedem de continuar. Não impedem porque não passa disso. De uma simples dor. E eu tenho uma corrida para acabar.

terça-feira, 3 de abril de 2012


O quanto eu me iria rir se há um ano atras me tivessem dito a vida que eu estaria a levar neste preciso momento. Provavelmente risos de levar às lagrimas se alguém me ousasse contar que todos os estupefacientes teriam sido abandonados, que já nem o sabor doce de vodca com qualquer coisa que fizesse uma cor apelativa já não me iria adoçar a boca, que não ia sentir o travo forte do fumo de uma qualquer erva passível de ser fumada, que não teria continuado a experimentar algo na infeliz esperança de sentir um tanto ou quanto mais a lua, ou o sol, a luz ou a escuridão. Irónico. O que a vida muda, o que as pessoas nos fazem mudar. Os olhos com que olho as ruas já não são os mesmos. Olho e vejo os quantos planos falhados, mas as alegrias conquistadas de forma inesperada. Os lugares onde antes proliferava a entrega aos prazeres da carne que na realidade até são lugares de onde a vista é bonita, mas que antes nunca tinha aberto os olhos para ver. Passo por lá, olho, e sinto alguma saudade, alguma nostalgia. A euforia passada, o calor das pessoas, as visões irrealistas. Passo rápido, não com medo mas com receio, chego a casa, durmo sobre o assunto, e quando acordo, é fácil perceber o porque de ter mudado. É que antes, antes acordava sozinha.
Gosto dos que me encontram ao acaso da mesma forma que me sinto pelos que vão embora sabendo o que fazem.

eu deixo-me ficar.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O problema de muita gente é querer que a paixão dure para sempre. Por motivos nem sempre psicológicos, mas também biológicos, há como que uma adição às feniletilaminas, libertadas quando qualquer um de nós está apaixonado: aquele aperto no coração, as comuns "borboletas na bariga", aquele sorriso que nos desenha também a nós um sorriso na cara, aquela vontade de correr mundo fora ou de cometer loucuras com a pessoa que nos desperta esta intensidade de sentimentos... Não obstante, a paixão subverte-se paralelamente ao avanço dos tempos, à medida que a rotina toma conta de uma relação. E eis que um dia, a relação termina, porque esfriou. O problema, hoje em dia, é perder-se a coragem, a esperança, a vontade, a criatividade para manter a chama acesa. Emocionalmente estável, o melhor companheiro saberá, por certo, que amor e paixão não são a mesma coisa e que o caminho para manter uma relação viva é o caminho da amizade, assim como dizia em tempos o grande Aristóteles. Porque envelhecer juntos ainda é uma realidade possível para algumas pessoas.

Afonso Costa

quinta-feira, 15 de março de 2012

Amote

Um dia, não um dia qualquer, um dia. Dei comigo parado, a sorrir de banda, enquanto corrias no meu encalce. Nunca te tinha dito aquela estranha palavra. Aquela que todos dizem, às vezes só porque sim. Porque sim sem razão nenhuma, não lhe rouba o que tem de verdadeiro. É só porque faz sentido ali e agora.

E assim foi. Sem olás nem bons dias, saiu um pequeno amo da minha boca. Um pequeno, pequenino, lutador, sufocado pela timidez. Infelizmente, para mim, a palavra amo-te têm um hífen lá pelo meio. Um belo de um hífen que não passa de um pequeno traço de escrita, que nem se nota quando falamos. Mas naquele momento notou-se. Foi um pequeno amo que me permitiu respirar antes de te dizer o resto. E dizem que se não se disser nos primeiros três segundos, não se consegue dizer mais. Eu não consegui. Nem nos primeiros três, nem nos restantes quando ficaste à espera de saber o que me enche o coração. E eu não fui capaz de dizer que és tu.

Vou riscar a palavra da minha cabeça e inventar uma nova. Uma sem hífen. Até posso roubar o hífen à que já existe. E assim fica, um amote sem hífen, dito de uma vez só, sem respirar. Um amote sem nada que o separe no meio para nos roubar o ar todo de uma vez. Um amote.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Quatro

Eram quatro da tarde, marcadas pelo meu relógio de pulso. Eram quatro da tarde e foi esse o número de pancadas que eu, de punho fechado, bati na porta de tua casa. Uma. Duas. Três. Quatro. Quatro simples pancadas para te avisar que já tinha chegado. Podiam ter sido mais. Podiam ter sido menos. Mas não foram. Foram quatro. Dezasseis marcava o relógio.

Abriste-me a porta, de sorriso nas maçãs. Aquele sorriso tímido que te é tão característico. Os olhos gritantes, meio escondidos pelo cabelo que te cobre a face. Convidaste-me a entrar. Levei-te um girassol, daqueles que tu gostas. Um grande girassol que tem que se baixar para atravessar a ombreira da porta. Entramos. Nas paredes nada mudou. As mesmas fotos, os mesmos quadros, as mesmas pessoas. A casa não deixa de ter um aspeto desconcertante, apesar dos vários papéis amarfanhados ali no canto, apesar de alguma desarrumação e meias pelo chão, apesar de.

Sentados no sofá falamos do mundo. E de como o mundo nos estendeu a mão. Rimos. Saltamos. Vemos um filme e comemos pipocas. As horas não passam ali dentro. Olho para o relógio de cuco que tens por cima da lareira. Gostas de relógios. Olhei para aquele por acaso, porque podia ter olhado para os outros três na parede do lado direito. Marcam todos as quatro. As dezasseis. Sai uma tosta mista e a vida vai passando. Vive-se muito dentro daquela casa. Dou uma ajuda a arrumar algumas coisas, onde posso. Há sítios onde não chego e também não há escada para poder lá chegar. Enfim, paciência.

Digo-te que tenho de ir embora. Abro a porta da frente, uma leve brisa penteia-me os cabelos. Pedes.me para ficar. Mas eu preciso de ir embora. Estendo o pulso para fora da porta, os ponteiros ficam loucos e serpenteiam. Lá fora já são dez. Dez da noite. Ou dez do dia, depende. Vinte e duas. Estendes-me a mão, puxas-me. O mundo, lá fora, puxa ainda com mais força. E caio, esparramado no chão. Olho para cima. Lá estás tu. Dois rangidos irritantes e a porta fecha. Quatro. Foram quatro. Quatro batidas na porta para abrir. Dois rangidos, um estrondo e uma chave a rodar para fechar. A soma quatro. Eu contei. Foram quatro.

domingo, 11 de março de 2012

És uma aventura.

És uma aventura que não quero que termine. O teu sorriso é o meu horizonte, os teus braços os ramos das árvores a que me agarro. A tua voz é o vento que me empurra para novos e melhores caminhos. Os teus lábios o chão que piso. Os teus olhos, o gostar de me aventurar por ti a dentro. Como se fosses um mundo de alegrias, só alegrias.

Devora-me todos os dias. Quero sentir-te ainda mais.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Encontrei nos rascunhos os poemas que me fizeram descobrir a escrita. Bom, talvez seja mais correto dizer que foi quando me apercebi do quanto gostava dela depois de me deixar envolver por palavras. Fi-los para um concurso e ainda me lembro dos comentários que lhe foram feitos. Aqui os deixo.

As rosas negras
Crepitam na minha lareira
Por as queimar
Desaparecerá o negro que me rodeia?

Se furar um balão
De ar recheado
Furarei o meu coração
De vidro pintado?

Alma é aquela
Que ajuda os outros
Mente é aquela
Que se ajuda a si
Corpo é aquele
Que suporta a luta
Entre as duas
Num só.

O que o coração quer
A mente contraria
Todos têm medo de morrer
E medo de aproveitar a vida
Mas enfrentando apenas um medo
Os outros vão em seguida.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Não. Não posso passar por aquela bela enfermeira sem lhe dizer bom dia. E diz. O Sr. Alberto, já famoso por aquelas bandas, é um bom homem, contam. Sempre bem disposto, de sorriso calejado na cara, o que mais gosta é de cumprimentar quem sempre o recebe para o tratar. É a sua maneira de agradecer, afirma.

Aos oito anos já trabalhava na terra. Ajudava no que podia. Acordava cedo e calçava as galochas para ir tirar o leite à vaca! Segundo o Sr. Alberto, às sete da manhã é quando sabe melhor, uma caneca tirada do balde que usa para ordenhar. O carro de mão também não era coisa que lhe metia medo. Tanto servia para trabalhar como para brincar. Eram as mãos experientes e cansadas do trabalho que costumavam empurrar aquelas três rodas quando lá em cima se sentava. As mãos do seu avô.

A história dele, como costuma dizer, não foi nada diferente da dos miúdos do seu tempo. Histórias pejadas de trabalho árduo nos campos, nas salinas de Aveiro, na pesca do bacalhau. A história dele, como costuma dizer, foi sempre feita à procura de roubar o osso que sobrava na sopa da pedra que a sua mãe fazia. O osso que servia só para dar um gostinho à sopa. O osso que pertencia ao dono da casa, o seu avô, que o deixava sempre ficar com aquele restinho da carne mas que nunca foi carne.

Foi sempre recto na vida. Sempre bem mandado. Boa pessoa. Existem muitas boas pessoas neste mundo, diz. Têm é medo de o ser porque as pessoas boas raramente vão longe. Já ninguém é capaz de viver com tão pouco. O que nem é necessariamente mau! Muito sábio o Sr. Alberto. Ou Albertinho como a mulher o chamava. Sim, o chamava. Teve de a ver morrer à sua frente, culpa da gripe. Ainda a tentou levar ao médico mas a pobre não resistiu.

Aos sábados sentava-se na cadeira à frente de casa para ver os rapazes a jogar à bola. Gosta da juventude. Continua a gostar. Mas foi num desses fatídicos sábados que teve o seu primeiro problema. Apoiado na sua bengala, sentado no cadeira do costume, olhou para baixo e viu que tinha as calças molhadas. O primeiro de muitos que o têm acompanhado.

Hoje, o Sr. Alberto troca a cadeira do jardim por uma ainda melhor. Esta leva-o onde ele quer sem que tenha de caminhar, coisa que já nem consegue fazer. Duas grandes rodas, maiores que a do carro que tinha. Maiores ainda que a do carro de mão! A puta madrasta da vida não lhe poupou apenas as pernas. Para além disso, é obrigado a andar sempre com um saco de mijo atrás. Ao colo, diga-se. Agora, todos os dias passeia um belo saquinho do continente. Já serviu para compras. Pobre saco, hoje serve apenas para o pequeno infortúnio de um homem que nunca o pediu.

Não faz mal. Diz o Sr. Alberto ser um sortudo por ter trocado a cadeira de quatro pernas por uma de duas rodas. Esta, diz ele, permite-lhe sentir o avô a empurrar, por vezes, quando ele precisa de ir a algum lado. Pelo menos é isso que conta aos seus netos. Que nunca lhes aconteça o mesmo. Ou esperemos que sim.

quinta-feira, 1 de março de 2012

E abriria uma loja de chapéus. Mad Hatter's, parece-me um bom nome. E à porta, um aviso. PROIBIDA A ENTRADA A ARANHAS E VISIGODOS.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

tudo o que sei


A vida é feita de erros, consumidos pelas desculpas, com lágrimas de arrependimento, em prol da amizade que une duas pessoas que respiram o mesmo ar. E depois num instante, tudo muda... O que antes era o sentido dos dias, passa a ser nada, porque nada resta das horas passadas e dos eternos momentos desejados. A presença deu lugar à ausência e a ausência deu lugar ao vazio. E do vazio só resta a saudade do que passou, do que ficou para trás. A ausência leva à destruição de toda essa felicidade que tivemos e à construção de uma desculpa.
Afinal, a vida é feita de quê?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um dia conheci um número. Estava cansado de tantos cálculos, somas, subtracções. Fugiu.
Queria conhecer o mundo, conhecer letras que não as gregas. Falou-me da matemática e da sua vida.
Quando nos despedimos, voltou para a folha de cálculo. Tinhaabandonado o melhor de si nas folhas quadriculadas. 
Passados uns anos, vi-o de mão dada com a morte, e como iguais abandonaram este mundo.
Apagaram-no.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

eternos porquês

Há dias em que perdemos o sentido da vida... Há dias em que não conseguimos encontrar respostas para a imensidão de porquês que pairam na nossa cabeça como nuvens prestes a condensar. Há pessoas que não se explicam, por mais que tentemos encontrar palavras, gestos, actos, para esclarecer a sua razão de existir e de agir. Há sentimentos que tomam conta de nós, nos devoram a alma e nos fazem sonhar. Há coisas que por mais que tentemos desvendar vão permanecer eternamente uma incógnita, uma imensidão de nadas e de tudos que nos agarram, nos prendem e nos movem. Num dia somos grandes amigos, não paramos de falar a cada segundo, no seguinte somos uma guerra de titãs. Num momento sou a tua vida, noutro uma mera desconhecida. É incrível como o ser humano tem a capacidade de mudar mais depressa que o próprio tempo vagaroso, é incrível como tudo muda em escassos instantes, e às vezes basta um simples ditongo para "entornar o caldo" e nada voltar a ser igual. É triste? Sim. É revoltante? Também.
Só queria perceber, juro que só queria entender. Só queria que percebesses, apenas queria que percebesses.
Há coisas que não se explicam por palavras. Há coisas que se sentem na presença e, ainda mais, na ausência. Há coisas que não conseguimos descodificar. Há coisas que sempre serão uma incógnita.
A minha incógnita és tu, e eu sinto muito a tua falta!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Le future.



Dear 20 years old me


Lamento ser eu a dar a notícia, mas o final apregoado pelas bocas mais invejosas deste mundo sempre se confirmou, não vais viver nesse conto de fadas idílico muito mais tempo. Não vais realizar os teus sonhos. O teu ego não vai transbordar pela magreza do teu corpo. Na realidade, vais-te rir, para não chorar, daquilo que estás a pensar que vais conseguir fazer da vida.
Queres que te conte? Vais recorrer às velhas anfetaminas para acabar o curso, sim, vais voltar, e idolatra-las como não fazes com ninguém, vão ser as melhores amigas em tempos de recursos e estágios complicados. Ah! Esqueci-me, também vão ser elas e ópio a fazer-te esquecer os desgostos amorosos, porque sabes, isso de andares a acreditar que não são todos uns cabronnes é um puro e grandessíssimo disparate, descendem todos do tronco comum da peguisse e luta para noites de sexo ardente e sem significado. Vai por aí o teu plano de vida, vais resistir aos valores que infliges e entrar no esquema tão português de cunhas para conseguir um emprego, vais ser daquelas ressabiadas, não dizem ‘Bom Dia, Senhor António’ e apressam-se a dizer boa tarde, sem ver sequer o nome na ficha médica. A tua salvação vão ser os gatos, os gatos e os mendigos, vais ajudar, não pelo amor pelas pessoas, mas pelo teu ego e salvação da tua mente e dada personalidade.
Voltando aos tópicos, não vais ser magra, as portas duplas vão ser as amigas de uma vida, mas pensa positivo, se comprimires muito a nojenta gordura pode ser que ainda sintas os ossos, não sei, nunca estudei isso em profundidade nem me/te tentei tocar, mete-me repulsa saber quem sou.
Por fim, minha querida eu, há dez anos atrás que acreditavas que não irias chegar aos trinta, e adoro ser eu a dar a notícia, desta vez, as tuas visões estão certas. Tanta é a miséria que o melhor é apelares à nossa morte, com analgésicos, para que não sintamos nada.

Love, the future.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

“Amor é fogo que arde sem se ver”. É este o pequeno trecho, de um poema de Luís Vaz de Camões, que se encontra escrito num pequeno postal que me estendem. É, apenas, mais um na grande panóplia de postais referentes ao dia dos namorados que se encontram nesta estante. Pode ser que venha a dar jeito a alguém! Talvez hoje, talvez amanhã. As estatísticas dizem que o número de flores e chocolates aumentam. Também afirmam que muitos restaurantes ficam lotados, para deleite dos proprietários. A verdade é que as vendas e as receitas demonstram que o dia dos namorados tem bastante significado para a sociedade. E contra factos não há argumentos! Sejam os maridos que procuram surpreender as mulheres, sejam os namorados que anseiam em enternecer a sua cara-metade ou até os apaixonados que ousam namoriscar as suas amadas, todos correm desenfreadamente à procura da melhor surpresa, numa incessante caça ao tesouro organizada pelos estabelecimentos comerciais.

Uns tentam obedecer às massas e cumprir com o que é já aceite socialmente porque “fica sempre mal” não o fazer. Outros procuram afirmar-se dizendo que sentem orgulho em passar o dia dos namorados sozinhos porque também é bonito ser do contra. A verdade é que a maior parte gostava de ter namorado/a e não gosta de passar esse dia sozinho. Nem esse, nem nenhum, porém, o nível de “solitarismo” (chamemos-lhe assim) desse dia aumenta, sendo diretamente proporcional à valorização que lhe endereçamos. Provavelmente pouca gente repara nisso mas o dia 14 de Fevereiro é apenas mais um dia no calendário. É apenas o quadragésimo quinto dia do ano ou o décimo quarto do mês. Calma! Pode não ser! Pode ser um dia especial. Pode ser um dia de aniversário. Pode ser o dia de nascimento de alguém. Até pode ser um dia especial para dois namorados, atenção! Condenável é o facto de ser “o” dia especial e não “um” dia especial. O dia dos namorados, na verdadeira acepção da expressão, não pode servir de desculpa para uma demonstração de carinho. Não pode servir de desculpa para que muitos homens ou mulheres, apenas as emancipadas!, sintam vontade de mimar a sua cara-metade. No dia em que isso acontecer devemos procurar o porquê de precisarmos de uma desculpa para amar.

O amor não precisa de desculpas. E tal como não precisa de desculpas, também dispensa lugares e dias especiais para se fazer sentir. E visto que, como afirma a sabedoria popular, para bons entendedores meias palavras bastam, deixo que os verdadeiros apaixonados percebam o que eu quero dizer com isto. Faria bem em acabar por aqui, porém, sinto-me na necessidade de fazer apenas mais um pequeno aviso de cuidado para aquelas pessoas que procuram a paixão momentânea e a fuga à responsabilidade que um verdadeiro romance acarreta, não vá o diabo tecê-las e inventar um dia também para elas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Aos corações.


Seguem-se portanto as pertinentes horas que antecedem as epopeias ao amor romântico. Coisas planeadas, esquematizadas em papel milimétrico para que nada fuja de controlo não vá o amor decair por aí abaixo por causa de uma celebração mal feita. Uma perda de tempo, de energia. Uma perda de amor. Uma canseira de planos, esgotante falta de liberdade, falta de tudo. Uma entrega de cento e muitos por centro ao amor da minha vida desse meretriz catorze de Fevereiro. A cegueira desmedida pelo tentar agradar exponencialmente à cara-metade do momento, as expectativas. No final, o amor de verdade deve ter ficado noutra gaveta, traçado a tinta permanente, sem direito a corrector e com erros pelo meio, mal planeado e, ainda assim, levado a bom porto.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sei-me tão de cor que às vezes me manipulo de forma a saborear mentiras e desfazer verdades que esfolam a pele. Arranjo mil e uma desculpas para quando caio, e tento fingir que não sei que tropecei nos meus próprios pés.

Das lutas do amor.

Todos os dias vestimos o belo do calçãozinho largo e as luvas de boxe. E todos os dias procuramos entrar naquele ringue quadrado onde lutamos pelo grande prémio: a pessoa que nos aquece o coração. Não, o amor não é um simples organizador de eventos esporádicos. A verdade é que todos os dias ele nos coloca como cabeça de cartaz, colocando-nos também a cabeça a prémio no evento principal. E lá vamos nós, derrotando adversário atrás de adversário. Com gestos, com palavras... cada um à sua maneira. Ouvi dizer que já houve quem mordesse a orelha do adversário para ganhar uma luta destas.

A verdade é que a memória do amor tanto se mistura entre um elefante e um peixe, e deste último já vieram provar que não é como diz a sabedoria popular. Assim nos é pedido que o conquistemos diariamente, numa luta diária pelo que ousamos manter. Sabem? O amor perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. A verdade é que tendo o tempo tanto tempo quanto o tempo tem, o amor não precisa dele. E deixa de ser diário, passa a ser momentâneo. Assente em vários pequenos lutadores fragmentos de tempo, assim corre o amor. Então deixa de haver uma exigente luta por outrém. A luta não vem antes, nem depois. A luta não existe. Faz parte e mistura-se.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

I know something you don't know

O inverno durou mais
E mais e mais do que
Era suposto. Mas
Acabou, acabámos,
Acabei. O invernou durou mais
E mais e mais do que
Tinhas prometido. Levantei-me,
Fui ter comigo. Tu ficaste
Num qualquer Dezembro frio.
Tu ficaste. Eu não.
Desculpa, mas eu não.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mais do que uma visão, uma vivência.


Gostava de poder não julgar o mundo por todos os erros, por todas as falhas e desistências. Mas não consigo.
É tão triste ver a derrota simulada de quem só quer vencer, a apatia e a fraqueza acumulada de seres que nem sequer exploram o conhecido das suas motivações. Basta querer.
Não querer que o terrível abale as nossas vidas e consuma a nossa alegria e deixar o estupendo florescer.
Estúpidos.
Só desejaria que as pessoas conseguissem entender esta minha simples visão dos factos, que mesmo com um caminho repleto de fendas, há como não cair - Mas não é esta a visão, o caminho não são fendas pelas quais passamos mas sim flores que pisamos.
Limitamo-nos a pisar as flores que surgem no nosso caminho, o que causa dor, traz infelicidade, negatividade e todos os outros sentimentos que o mais comum dos mortais teima em louvar, pobre coitadinho que só dá valor a desgraça e que se esquece que no meio de tanta merda consegue ser feliz.
Esquecem-se, fraquinhos de memória, que no meio dos dejectos que pensam pisar estão flores, flores que se esquecem de colher e de aproveitar, para viver melhor e continuar.
Eles continuam a pensar que a vida é má, mas não é para isso que cá andamos.
Podemos viver mal, pode acontecer algo negativo mas ao menos uma vez, num momento qualquer, podemos dignificar a nossa alma,
colher uma flor... e ser felizes.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Oh, vamos! Falo a sério e a sério falo! Viajamos por entre pizzas e gelados e acabamos com a massa! Saboreamos as palavras e nadamos na torre torta!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Se soubesses, conseguisses sentir a saudade que sinto quando não estás, nunca irias embora.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Vivem diferente, vivem à frente... Pobres iludidas! Hão-de penar tanto, hão-de vergar tanto sob a vardasca madrasta da vida e, se ainda se tiverem uma à outra, hão-de erguer-se e sorrir-lhe.

Borrega

Créditos:
originalmente em: Zoo.Lógico

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dois anos depois, a única coisa que me deixa saudades é a maneira como olhavas para mim.
Pulga

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

 São sentimentos e fazem doer, são feios. Não vejo sentimentos bonitos há tanto tempo que, julgo, já nem reconheceria um, mesmo que este me viesse bater à porta, todo perfumado e bem penteado e dissesse
- Sou um sentimento bonito.
Eu provavelmente fechar-lhe-ia a porta na cara aprumada e seguiria com a minha vida, murmurando algo sobre como os sentimentos feios que por aí andam acreditam que nos podem enganar com algum gel e água de colónia. Qual quê? O amor, sentimento dito bonito, não bate à porta, entra de rompante e sem permissão, é um sentimento mal educado. Tornou-se feio também.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não sei nada sobre a vida.
A vida não sabe nada sobre mim.
Talvez devesse convidá-la para um café um dia destes.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ano Novo, Vida Nova

Ao nos depararmos com um típico cenário de festa, com um variado leque de diferentes idades, será quase pecado não tornar em estereótipo o redor que nos ameaça uma leve gargalhada. Supondo uma celebração de passagem de ano, num tipíco hotel nalgum lugar mais soalheio, para onde se arrasta toda essa família que pede por uns míseros dias de descanso. E após um farto jantar repleto de pratos pintalgados de parca comida, de cinto já aliviado para o próximo buraco, segue-se uma improvisada discoteca, de hits já muito batidos e explorados.
Atravessando todas as faixas etárias disponíveis iremos encontrar variadíssimas personalidades, umas mais excêntricas, como não poderia deixar de ser, e outras menos, bastante mais discretas.
Os mais novos juntam-se em matilha, e com a sua década mal terminada, ou ainda por terminar, pavoneiam-se nos seus trajes acabados de estrear, prenda de Natal, que conveninentemente se acomoda ao lado do Reveillon. De narizes empinados, os líderes, de idade a ultrapassar a década em um ou dois anos, abanam os seus corpos e saltam cheios de energia, tentando disfarçar o seu entusiasmo por estrarem a pé após a uma da manhã com arte de dançar. Passado meia hora, no entanto, ainda mal a roçar as duas da manhã, os mais pequenos e mais tímidos vão cedendo e rendem-se à tentação do sofá, aninhando-se uns nos outros como uma ninhada, desdenhados por não acompanharem o ritmo dos líderes que ainda pulam; que passado meia hora começam a disfarçar bocejos e subitamente desaparecem da pista de dança, e só se volta a pôr a vista neles no dia seguinte de manhã.
 Não poderá faltar decerto o típico adulto que abusou do vinho ao jantar, um pouco de verde aqui, um tinto que não excede ali e do nada o nariz já está avermelhado e os membros um pouco torpes. De crianças já deitadas, após um bom assoar e um chichi-cama, dirigem-se ao bar aberto com o seu pulso, decorado com uma pulseira indicadora de direito a bar aberto, e sem demoras, abusam dos mojitos e das caipirinhas. O resultado será uma dança tresloucada e descoordenada, típica de um ritual adolescente molhado de hormonas descontroladas, um riso extremamente alto e estridente, acompanhado por um bom humor contagiante, que invarialmente coloca um sorriso na cara dos jovens que se encontram a observar a cena e que se identificam um pouco com os beijos cheios de língua que a malta dos quarenta se oferece de novo sem pudores. O dia seguinte será decerto um tardio pequeno-almoço e uma valente dor de cabeça acompanhado por um cheiro que os indentificará o dia todo e um mau humor como que uma aura nauseabunda.
A observar este cenário encontram-se os raros estrangeiros corajosos, que pouco ou nada entendem do que se passa em seu redor, mas acompanham o ritmo da música pimba como se entendessem claramente todo o "ponho o carro tiro o carro", tal qual uma filosofia de vida. Riem-se um pouco da descontracção dos já alcoolizados, mas lá no fundo o que pensam é que voltar àquele país esquisito está certamente fora de questão. Mas cerveja aqui cerveja ali, lá acabam por descontrair, e ao entrar um pop bem comercial, lá abanam as cabeças e colocam os braços no ar.
Não faltam também os jovens que ainda não ultrapassaram os vinte, que de corpos jovens e pais mais permissivos, se deixam de bebida na mão a abanarem-se um pouco já a roçar o indecente, que uns casados de mulher a deitar os filhos se deixam a cobiçar rebarbadamente sem se importarem com aparências. Mas, elas que ainda não se habituaram às torturas dos saltos agulha, mais tarde ou mais cedo acabam por ceder, não se deixando até ao final da festa, e quando o dançar já se tornou doloroso e a música boa já passou toda, retiram-se para os seus quartos, e ao chegarem ao elevador, sem que ninguém as veja, ficam de sapatos na mão e pés semeados de bolhas.
A isto assiste o pai mais conservador, que de olhar repleto de desaprovação lança uns quantos olhares venenosos aos trintões sem vergonha nem controlo nupcial.  Esse mantêm-se sempre ao canto da festa, deixando-se a observar sem se intrometer, de mãos vazias e olhar soturno, avaliando cada passo que é dado sem participar realmente na celebração, mas torcendo-se sempre mais um pouquinho para não ceder e se ir deitar. Invarialmente, ficará sentado até a pista ficar vazia e os sofás serem repostos ao seu devido lugar, e só aí se levantará e se entregará ao seu abençoado sono.
Ao canto, se se procurar bem, haverá também uma ou outra mãe um pouco mais alegre do que seria de se considerar moralmente correcto, e no seu vestido impecável mas escolhido na véspera da viagem, dá as mãos à sua filha e dança com ela, talvez um pouco mais animadamente do que a criança está acostumada. Mais tarde ou mais cedo chegará o marido, que tocado ou não ouve os apelos da filha para se ir deitar, apelos que a mãe decerto não ouviu. Recolhe-se então a família, e a mãe com um leve amuo é a primeira a adormecer, derivado da bebida ou não é que já não se sabe.
Não poderá deixar de ser referido, claro, também, a quarentona que com quilos de maquilhagem, horas de ginásio em cima de um corpo já a aproximar-se do flácido e um vestido um pouco mais curto do que seria admissível se passeia pela pista de dança. Pouco ou nada se mexe nos seus saltos altíssimos, mas mostra-se a todos propositadamente, sem oferecer a ninguém um sorriso, tentando ostentar na sua pose uma carteira abastada, sem que assim esta possa ser considerada. A acompanhar a senhora, veremos a sua filha de colégio, na sua pré-adolescência, de andar semelhante ao da mamã e ego subido até à garganta, sem que na verdade seja de facto merecedora de tal convencimento. As duas dançam então mecanicamente e com cara de poucos amigos, já que "não são dessa laia", e nos seus gestos ocupam mais espaço do que seria necessário e uma pisadela aqui uma pisadela ali, conseguem facilmente perturbar quem se encontra perto delas.
Mas na verdade, a verdadeira vítima no meio deste circo ambulante é a pobre empregada do hotel, que se mantêm firme a noite toda a servir bebidas a este e àquela, de sorriso forçado na cara e pequenos petiscos na bandeja. Terá ainda que entusiasmadamente gritar a contagem decrescente, querendo na verdade passar aqueles momentos com a sua família ou os seus amigos, para uma maior descontracção. Atura o bêbado, os olhares dos mais depravados, e a senhora de nariz empinado, esperando um bom pagamento pela festa. E no final, depois de uma noite desgastante a servir pratos de comida que mal são tocados, ainda se entrega ao cenário avassalador de um terreno de batalha após uma noite de passagem de ano, e de mãos de ferro, volta a colocar tudo no seu lugar, para que passadas umas horas as primeiras crianças que começam a acordar e a gritar por comida aos pais de ressaca encontrem o hotel como novo.
E malas são feitas, carros são preenchidos com a respectiva bagagem e famílias partem para uma longa viagem de regresso a casa, talvez com uma disposição um pouco mais agreste, mas decerto com umas quantas boas memórias - um pouco apagadas devido ao álcool - que os levarão de novo, quem sabe, àquele mesmo hotel passado os apressados doze meses, apesar do tão saboreado cliché "ano novo, vida nova".