domingo, 20 de dezembro de 2009

Inteligência tardia

Às vezes lá olho pelo canto do olho e ainda te vejo. Ainda nos vejo. Às vezes ainda passo os dedos pelos bilhetes de cinema sempre singulares e penso em como chorava no final, quem sabe se adivinha do tempo que nos condenava. E agora, em retrospectiva, depois de ter olhado pela segunda vez e de ter sentido a tua ausência bem ali do meu lado, depois de reparar nos erros imperdoáveis e gritantes, depois de me ter sentido pequena e só, penso:
o que fazia eu contigo?
















(ainda bem que percebi a tempo)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

a nossa caminhada(?)

tropeças-me a caminhada. não podia olhar para trás sem que me entrelaçasses no passado. o teu passado, o meu presente. não podia ouvir o teu nome sem voltar o olhar, sem que mais uma vez me agarrasses. desprezo a minha fraqueza; mas menos do que valorizo esta amizade. não consigo esconder-me dos outros, pouco agora de mim mesma. não importa se largámos a mão, não importa se algures lá atrás esquecemos a estrada que se enleava à nossa frente, não importa, sequer, se ignorámos as pegadas.
encontra-me, mais uma vez, uma última vez. não me largues mais, nunca mais.

(queria uma foto nossa.)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Em memória dos bons velhos tempos


Carícias face dentro, dedos entre cabelo solto e farto, mãos decididas e risonhas. Sorrisos sobre a mesa e não ouço a tua voz. Não ouço a minha, nem as inúmeras discussões e guerras mundiais tão frequentes no nosso campo de batalha. Suspiro de alívio. Éramos ferrugem persistente, faísca exagerada, a nossa junção chateia e desgasta. Não fomos feitos um para o outro, não dá-mos saldo positivo no balanço ao fim do mês. Somos bons à distância, nas entrelinhas. Somos bons com outros corpos, com outras almas, com outras salivas. Que assim seja: eu e tu, nunca amigos, nunca amantes. Leio só o teu e o meu sorriso em jeito de confirmação. Química. Que assim seja, mesmo que para sempre, mesmo que nos trame numa ou noutra rua do destino.
Carícias face dentro, dedos entre cabelo solto e farto, mãos decididas e risonhas e eu volto a amar-te.
Desta vez sem discussões.