Impossível é guardar
o
R
i
o
Que
Des
agua
No
no
sso
Passado
Ontem já lá vai, daqui a 5 minutos já é futuro. Vivamos o presente, de uma vez por todas?
sábado, 31 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
solidão
troco as palavras quando te quero escrever, a minha mão direita chateou-se com a caneta e a esquerda nunca soube usá-la.
cambaleando por entre os dedos, ela vai enchendo de riscos e rabiscos o papel (quero sempre escrever-te a caneta, para ser tão intenso e definitivo como o que sinto).
a mão direita irritou-se: também quer ser protagonista! nada melhor que arrancar violentamente a folha do bloco - inocente que a caneta encheu de patetices - e amarrotá-la sob o meu olhar indiferente.
queria-te escrever alguma coisa especial, mas a caneta não deixa, a mão direita não deixa e a mão esquerda nunca soube. o meu olhar permanece assim, indiferente. eu permaneço calado.
quando te quero escrever, gasto blocos de folhas inocentes, que a caneta enche com patetices, ainda antes da mão direita, irada, arrancar violentamente e amarrotar sob o meu olhar indiferente.
podia passar horas a contemplar o teu sorriso e o teu olhar, e aí dizia-te tudo.
dizia tudo sem palavras, que a língua enrola-se quando te quero falar.
dizia-te tudo com um olhar ou um sorriso. dizia-te tudo num silêncio.
podia passar horas para te dizer tudo, se ao menos estivesses aqui.
largo a caneta e o bloco, coloco a cabeça entre os joelhos e penso em ti.
um toque estridente do telefonecorta o silêncio amargo.
talvez, talvez sejas tu!
cambaleando por entre os dedos, ela vai enchendo de riscos e rabiscos o papel (quero sempre escrever-te a caneta, para ser tão intenso e definitivo como o que sinto).
a mão direita irritou-se: também quer ser protagonista! nada melhor que arrancar violentamente a folha do bloco - inocente que a caneta encheu de patetices - e amarrotá-la sob o meu olhar indiferente.
queria-te escrever alguma coisa especial, mas a caneta não deixa, a mão direita não deixa e a mão esquerda nunca soube. o meu olhar permanece assim, indiferente. eu permaneço calado.
quando te quero escrever, gasto blocos de folhas inocentes, que a caneta enche com patetices, ainda antes da mão direita, irada, arrancar violentamente e amarrotar sob o meu olhar indiferente.
podia passar horas a contemplar o teu sorriso e o teu olhar, e aí dizia-te tudo.
dizia tudo sem palavras, que a língua enrola-se quando te quero falar.
dizia-te tudo com um olhar ou um sorriso. dizia-te tudo num silêncio.
podia passar horas para te dizer tudo, se ao menos estivesses aqui.
largo a caneta e o bloco, coloco a cabeça entre os joelhos e penso em ti.
um toque estridente do telefone
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Para um Pai Ausente.

Pai,
hoje, quase 10 anos depois de nos teres abandonado, decidi escrever-te e contar-te tudo o que senti na tua ausência. Ausência essa que sempre senti mesmo quando ainda não tinhas saído de casa. Na realidade nunca foste um pai a sério. Não, eu nunca tive um pai como todos os meus colegas de escola. Tu nunca passeas-te comigo aos fins de semana, nunca me levaste á praia e nos dias frios de Inverno nunca me aconchegaste os lençóis. Eu sei porque todas as noites ficava acordada até te deitares, sempre na esperança que o fizesses. Nunca me pedis-te para me sentar ao teu lado, nem nunca me contaste histórias. Esquecias-te de mim frequentemente e se te lembravas era só e apenas para dizeres que não fazia nada de jeito. Comecei a pensar que era um peso para ti e desejei muitas vezes nunca ter nascido. Na tua carteira não havia espaço para uma fotografia minha e nunca guardaste os desenhos que te oferecia no Dia do Pai. Eu nunca me esquecia de ti.
Cresci no meio das tuas discussões com a mãe. Tinha tanto medo quando gritavam. Ás vezes espreitava pela porta entreaberta do vosso quarto e via-te levantares-lhe a mãe e agredi-la tanto física como psicologicamente. E, ela gostava tanto, tanto de ti que não tinha coragem para te largar. Consentia tudo.
Porque é que nunca foste capaz de demonstrar carinho pela tua família? Pelos que mais te amavam? Porque é que sempre anulaste esta parte de ti, que éramos nós?
No dia em que a minha mãe teve coragem para te amachucar as roupas e as enfiar numa mala velha e rasgada, com o coração estilhaçado, e te pôs fora de casa, eu chorei a noite toda. Por mais ódio que sentisse em relação a ti não imaginava os dias preenchidos de vida tua, nesta casa. Durante muitos dias esperei que regressasses e tu não voltaste nunca. Mais uma vez esperei e voltei a esperar em vão.
Mas sabes, pai... eu sei que apesar de tudo tu me amas ainda como sempre amaste. Apenas nunca soubeste demonstrar esse amo. É impossível os pais não amarem os filhos. O amor por um namorado/namorada, marido/mulher, amigo/amiga pode desaparecer. Mas o amor por um filho nunca, mesmo nos piores dias. O amor por um filho permanece sempre. Apenas ás vezes se pode esconder, numa parte funda de um coração deficiente como o teu, mas eu acredito que um dia vais lembrar-te de mim e vais procurar-me ; vais sentir o arrependimento perfurar-te a pele e vais correr para mim para me abraçares e com lágrimas nos olhos vais dizer baixinho: Desculpa, filho.
E eu, que estou aqui á espera desse momento, como sempre estive, como sempre hei-de estar, vou abrir-te os braços, abraçar-te com força e também com lágrimas nos olhos e o coração cheio de felicidade vou dizer-te: Eu desculpo-te, pai.
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PS: Espero que gostem do meu primeiro texto neste blogue :)
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