quarta-feira, 23 de março de 2011

Néaltrú # 4

Mau humor latente. Espírito demente. Alma de crente.
Tento, luto e resisto. Mas às vezes também desisto. Sou fraca por natureza, mas aos olhos de todos pareço uma fortaleza.
Alma de c[a]rente. Espírito errante. Sou passageiro e sou tripulante.
Navego em mar alto, sem remos nem âncora. Sou bússola estragada numa nota desafinada. Ando sem mapa, desorientada.
Passageiro e tripulante, num mar errante. Crente. Demente!
Ando por trilhos e por becos. Labirintos submersos. Atiro-me de arranha céus, sem partir nem estilhaçar. Pedra que não precisa de amolar. Dou-me aos pobres e dou tudo o que tenho. Despidos de alma, estranhos.
Sou tripulante, sou navegador. Sou barco sem remos com falhas no motor. Sou andorinha sem asas, lutador fracassado nas batalhas.
Estilhaços, pedaços de pó. Coração de porcelana que na ponta deu um nó.
Sou tripulante, âncora atirada ao [m]ar. Sou navegador proibido de caminhar. Sou a raiz quadrada numa equação impossível, linha torta acertada com nível. Bússola errante, partida. Carta fora do baralho, perdida!
Corpos no chão, resquícios da batalha que passou. Sou tudo e do tudo nada sou.



[16-02-2011]

3 comentários:

deixa tu também letras soltas no caminho