sexta-feira, 19 de agosto de 2011

(entre) paragens.

Vejo foguetes da minha janela, não sei bem por que razão, deve ser alguma festa da terra.

A tua vinda vai ser sempre uma surpresa agradável. Foi bom (voltar a) encontrar-te no café do costume, sem encontro marcado. Nada mudou, a não ser o teu sorriso sem ferrinhos. O charme continua lá, o olhar de quem quer a coisa e o perfume também. Sabe tudo a Primavera. Flui um silêncio agradável e a timidez pairou na nossa mesa. Tudo volta a ser como antes. Conto-te os meus planos mais próximos, de como ia dar mais uma volta de 180º à minha vida e que “tinha que ser, porque eu não aguento muito tempo sem mudança”. A maior mudança da minha vida, naquele momento, era o abandonar daquela mesa e do café. Mal soube que visitaste finalmente as cidades que querias, esbocei um sorriso orgulhoso e ficámos por ali. O meu coração jorrou foguetes e fez uma festa – tal e qual as crianças. Toquei nos assuntos que estavam pendentes e poli as feridas. Foi bom ouvir-te dizer que estou cada vez mais segura do que quero e como o quero. Fizeste-me sentir grande. Concordámos que o passado estava resolvido e, se pudéssemos, viveríamos todas as cenas de filme que nos faltavam – mesmo ali, porque antes das palavras vêm as mãos e as nossas estavam entrelaçadas. De antemão, sabia que irias ficar cá mais um ano, por isso, desejei-te o melhor do mundo (como todo o triunfo que sei que vais ter!) e tirei um postal que comprei no ano passado, da minha cidade-natal. Sorriste e pegaste numa caneta. “Reencontro no fim do próximo ano. Talvez, no Porto. Quero ver-te a cumprir tudo. Eu sei que és capaz. Com todo o carinho, D.” sorriste e devolveste-mo. Sorri também e guardei-o no bolso de trás da malinha branca. Disse-te que ia ver um jogo do Porto e que me decidi mesmo começar a assistir a desporto (coisa que sempre me aconselhaste a fazer). Despedi-me de ti com um abraço – coisa mais que habitual – e um beijo e o toque dos teus dedos de pianista pela minha cara. Virei-me e escorreu-me a lágrima pela face abaixo, aquela que tocaste mesmo há segundos.

Devo dizer que o Porto ganhou e sempre que me lembram que não vai ganhar ao Barcelona, fico com um aperto no peito, tal como fiquei quando fui embora do café. Estou de malas arrumadas e vou partir em breve. O teu postal fica entre o autógrafo do Manel e do David (para te pedir outro, um dia mais tarde.) Quero chorar todo este ano que passou, mas a campainha toca. Sei que é hora de ir e de entrar numa nova estação. Até logo, meu amor, quando estiver mais crescida. Agora tenho de viver o Verão.

Fim do Acto I.

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